ONU preocupada com violência na Nigéria que deslocou dezenas de milhares de pessoas
BR

9 janeiro 2019

Mais de 30 mil deslocados internos chegaram a Maiduguri e muitos outros estão em Monguno; cerca de 260 trabalhadores humanitários foram retirados, afetando a entrega de assistência humanitária a centenas de milhares de pessoas.

O Coordenador Humanitário das Nações Unidas na Nigéria, Edward Kallon, mostrou grande preocupação com o aumento da violência no nordeste do país.

Segundo o responsável, os confrontos, que começaram a 26 de dezembro, já forçaram “dezenas de milhares” de moradores a fugir de suas casas.

Confrontos

Os confrontos de 26 de dezembro aconteceram entre as forças do governo nigeriano e grupos armados na cidade de Baga, perto do Lago Chade, a cerca de 200 quilómetros da capital, Maiduguri.

Exército da Nigéria patrulha o deserto do Saara procurando membros do Isil e do Boko Haram, by Unicef/Gilbertson V

O coordenador diz que a violência provocou um “deslocamento maciço, com a maioria das mulheres, homens e crianças a convergirem em acampamentos ou locais para deslocados internos nas cidades de Maiduguri e de Monguno.”

Dois dias depois, uma tentativa de atentado agravou a situação, gerando mais deslocamentos devido à incerteza causada pelos confrontos.

Visita

Depois de uma visita a Monguno e a um acampamento para deslocados internos em Maiduguri, o coordenador disse que "o impacto dos combates em civis inocentes é arrasador e criou uma tragédia humanitária."

Segundo Kallon, “é de cortar o coração ver tantas pessoas vivendo em campos congestionados ou dormindo do lado de fora sem abrigo.”

Ele explica que os civis continuam a pagar o preço do conflito e que as Nações Unidas estão “extremamente preocupadas com o impacto que a violência está tendo sobre os civis.”

Deslocados

Mais de 30 mil deslocados internos chegaram a Maiduguri, principalmente de Baga, nas últimas semanas. Isso inclui cerca de 20 mil deslocados internos que chegaram ao acampamento Teachers Village, estendendo a capacidade do campo além do limite.

A maioria dessas pessoas chegou desde 20 de dezembro, muitas vezes depois de viagens árduas com crianças pequenas. Ainda não se sabe quantas pessoas estão em Monguno, mas dezenas de milhares precisam de assistência humanitária, principalmente abrigo, comida, água e saneamento.

Ajuda

Nas últimas semanas, cerca de 260 trabalhadores humanitários foram retirados de três áreas afetadas pelos conflitos, afetando a entrega de assistência humanitária a centenas de milhares de pessoas.

Esta é a maior retirada de agentes humanitários desde que a resposta humanitária aumentou em 2016.

Alguns trabalhadores começaram a regressar para responder a necessidades urgentes, mas a falta de um ambiente operacional seguro impede um a normalização das atividades.

 

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