Segunda Comissão da Assembleia Geral: questões econômicas e financeiras para converter compromissos em ações

27 dezembro 2018

A ONU tem a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável como o projeto mais ambicioso e de maior alcance para promover mudanças no mundo; a fim de levar a cabo essa missão, a Segunda Comissão da Assembleia Geral lida com questões econômicas e financeiras.

Continuando a série "Especial Comissões da Assembleia Geral" que descreve o que acontece nas Nações Unidas após o retorno dos líderes mundiais a seus países, no final de setembro, saiba como atuam grupos de trabalho que devem transformar promessas e ideias em ações.

Como a Segunda Comissão executa essa tarefa?

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, incluem assuntos que vão desde a política macroeconômica, os assentamentos humanos, a erradicação da pobreza e o melhor uso das tecnologias de comunicação para o desenvolvimento.

Um interveniente importante nesses debates é o diretor do programa de Economia Global e Desenvolvimento do Instituto Brookings, Homi Kharas.

O especialista com conhecimento profundo da Agenda 2030, liderou o Painel de Alto Nível em 2015. Esse grupo decidiu o que sucederia os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um conjunto de metas específicas globais que foi o primeiro estabelecido pelas Nações Unidas para tornar o mundo melhor para todos.

O resultado desse processo foram os ODSs, que agora estão em vigor, e estão fundamentados em cinco temas específicos: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias.

Em entrevista à ONU News, Homi Kharas explicou que logo ficou claro como as várias partes da agenda econômica estão conectadas: “todas essas peças diferentes, seja para aliviar a pobreza, acabar com a fome, educação das meninas, questões ambientais… todas ela tiveram que ser tratadas como um todo, sem falhas, e é por isso que o trabalho da Comissão é realmente tão abrangente”.

ONU Brasil
A Agenda 2030, de desenvolvimento sustentável, reúne 17 Objetivos e 169 Metas.

 

Como conseguir colocar a comunidade internacional em sintonia?

Em relação à forma como este grupo de trabalho consegue reunir representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas para que estejam em sintonia, seria importante rever momentos da sessão que terminou agora no final de dezembro.

A responsabilidade dos trabalhos esteve com o representante permanente da Guatemala junto às Nações Unidas, Jorge Skinner-Klée.

O atual presidente da Segunda Comissão é diplomata com mais de 30 anos de carreira e se considera um “especialista em generalidades…em tudo desde o fundo do mar, ao espaço e o que existe entre eles”.

Falando à ONU, o representante afirmou que o legado da criação dos comitês, ao longo de mais de 70 anos, é um dos grandes desafios enfrentado por ele e por outros presidentes.

Ele disse haver "muitas siglas... que foram introduzidas na agenda e ficaram lá por algum tempo... tantas resoluções, e o impulso, que veem do passado. Agora é preciso descobrir a melhor forma de obter resoluções que entrem em ação e entrem na agenda dos ODSs.”

Para ter os 193 países caminhando na mesma direção, Skinner-Klée diz que a habilidade do líder não é suficiente. Para ele “é preciso vontade política. Então isso significa transações recíprocas. Há pessoas (e países) que têm interesses… e o pilar do Comissão é a negociação que acontece no G77 (grupo  que é composto por 134 países) mais a China. Do outro lado, segundo o presidente, está a União Europeia.

ONU/Cia Pak
projeção traz à vida cada uma das 17 metas, para aumentar a conscientização sobre a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. (2015)

Esperanças e receios

Skinner-Klée considera animador o compromisso da comunidade global com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável nos últimos três anos. No entanto, o representante revela preocupação com o atual clima geopolítico, que ele diz estar marcado pela “atomização, confronto e polarização”, com impacto sobre a capacidade de se avançar nos itens da agenda do Comissão.

Homi Kharas considera que “o mundo tem todas as condições necessárias para cumprir a Agenda de 2030, mas, por várias razões, a comunidade internacional está se movendo muito devagar”.

O representante disse achar que existem “o entendimento, os recursos e a tecnologia para fazer muito mais do que está sendo feito atualmente.” Ele aponta muitos fatores de distração no cenário internacional e níveis muito mais baixos de cooperação internacional, inclusive em intercâmbio científico, do que há algum tempo”.

Os seus receios fazem eco com os que já foram expressos pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, ao advertir que “as alterações climáticas estão a correr mais depressa do que nós - e estamos a ficar sem tempo”.

Sobre a Segunda Comissão, o chefe da ONU disse que pelo seu trabalho para o sucesso e a Agenda 2030, os líderes mundiais precisam mostrar mais liderança e maior ambição, e evitar “um destino que nenhum de nós deseja - um destino que ressoará através das gerações nos danos causados à humanidade e à vida na Terra.”

 

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