Enviado da ONU: “estamos longe de um acordo de paz israelo-palestiniano”

18 dezembro 2018

Relatório menciona recente violência e crescentes tensões na Cisjordânia como razões para clima de ódio e medo; Nikolay Mladenov alertou para a retórica de provocação constante entre as partes; representante fala em ausência de esforços coletivos.”

O enviado da ONU para o Processo de Paz do Médio Oriente, Nikolay Mladenov, considera que a recente violência e as crescentes tensões na Cisjordânia estão a alimentar um clima de ódio e medo, "afastando israelitas e palestinianos" de uma resolução para o conflito.

Em reunião do Conselho de Segurança, esta terça-feira, Mladenov, ressaltou que não pode haver "justificação" para atos brutais, como a morte de um bebé israelita na semana passada ou o assassinato de uma mulher palestiniana em outubro, que foi apedrejada até a morte, enquanto conduzia.

Desconfiança

O alto funcionário da ONU reiterou que a única maneira de garantir a paz a longo prazo será através da reunificação de Gaza com a Cisjordânia.
Unicef/ El Baba

O representante explicou que as partes “alimentam a desconfiança e o ódio", pedindo a todas as partes interessadas a "unirem-se às Nações Unidas para condená-las inequivocamente".

Mladenov também alertou para a retórica de provocação constante, notando que tais incitamentos "altamente perigosos" ameaçam empurrar uma "situação já volátil além do ponto de ebulição.”

Ao Conselho de Segurança, Mladenov informou ainda que no aspeto humanitário, os esforços para fornecer apoio essencial a palestinianos vulneráveis ​​são severamente prejudicados por necessidades crescentes, cortes severos de fundos, restrições no espaço operacional e tentativas de "deslegitimar" organizações que prestam assistência. Ele pediu à comunidade internacional que apoie o Plano de Resposta Humanitária para a região em 2019.

Referindo-se a Gaza, onde a situação se deteriorou significativamente este ano, o alto funcionário da ONU reiterou que a única maneira de garantir a paz a longo prazo será através da reunificação com a Cisjordânia.

Gaza

O representante considera que o processo de reconciliação entre o movimento Hamas e a Autoridade Nacional Palestiniana, liderado pelo Egito, é crítico. O enviado sublinhou que “a ONU apoia firmemente os esforços do Egito nesse sentido e insta as partes a fazerem sérios esforços para garantir o retorno do legítimo governo palestino a Gaza.”

Mladenov enfatizou ainda a ideia de que “Gaza é, e deve permanecer, uma parte integrante de um futuro Estado palestiniano como parte de uma solução de dois Estados.”

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz do Médio Oriente concluiu a sua intervenção manifestando preocupação com a “ausência de esforços coletivos para alcançar o fim da ocupação” e a realização de uma resolução negociada entre Israel e a Palestina, em linha com as resoluções relevantes das Nações Unidas e de acordos anteriores.

Ele acredita que todos compartilham a preocupação de que no final de 2018 ainda se está longe de uma solução negociada. Mladenov afirmou que só quando “dois Estados vivem lado a lado em paz, segurança e reconhecimento mútuo, com Jerusalém como a capital de Israel e Palestina, e todos os problemas estejam resolvidos através de negociações, é que as aspirações legítimas de ambos os povos serão alcançadas.”

 

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