Falta de fundos pode interromper transporte de ajuda na República Centro-Africana

18 dezembro 2018

Crise no serviço aéreo da ONU ocorre quando metade da população precisa de ajuda humanitária; mais de 2 mil trabalhadores do setor foram transportados pelos aparelhos aéreos administrados pelo Programa Mundial de Alimentação.

A falta de financiamento pode interromper a ação do Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas, Unhas, que permite que dezenas de milhares de necessitados recebam assistência na República Centro-Africana.

O alerta foi dado esta terça-feira, em Genebra, pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA, que administra o transporte apoiado por doadores internacionais. Neste momento é urgente financiar custos operacionais no valor de US$ 3 milhões para três meses.

Crianças

Mais de 800 mil pessoas receberam auxílio transportado pelo serviço aéreo da ONU nos primeiros onze meses deste ano no país. Os beneficiários incluem crianças entre seis e 23 meses apoiadas um programa de prevenção à desnutrição.

Se não houver apoio financeiro imediato, o serviço será definitivamente interrompido depois de janeiro no país onde mais da metade da população precisa de ajuda humanitária. O número corresponde a 2,9 milhões de pessoas.

Foto: ONU/Evan Schneider
Na África, a região com os mais altos níveis de fertilidade, o índice caiu de 5,1 nascimentos por mulher entre 2000 e 2005 para 4,7 entre 2010 e 2015.

Segundo o PMA, um em cada quatro centro-africanos vive como deslocado e a insegurança continua a limitar os meios de subsistência.

“Verdadeira tragédia”

O representante da PMA no país disse que atualmente a necessidade é tão grande e o fim das ações do serviço aéreo seria uma verdadeira tragédia para as operações de ajuda. Giancarlo Cirri, apelou a todos os doadores que salvem a “parte essencial das operações de ajuda humanitária na República Centro-Africana”.

O país é marcado por anos de conflitos que tornam as estradas intransitáveis ​​e áreas completamente isoladas na capital, Bangui. Nesse cenário, o Unhas é o principal canal de transporte para chegar a locais de difícil acesso.

O porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel, disse que a paragem do serviço “seria um sinal realmente negativo enviado pelos doadores a toda a comunidade humanitária na República Centro-Africana.”

Chuvas

O representante considera o serviço é vital num país onde é perigoso e difícil viajar. Segundo Verhoosel, “a falta de infraestrutura, a presença de grupos armados, o clima na estação das chuvas e outros fatores podem fazer com que se levem semanas para chegar a algumas das cidades importantes a partir de Bangui”.

Em novembro, mais de 2 mil trabalhadores humanitários foram transportados pelo serviço, após confrontos nas regiões central, noroeste, leste e sudeste do país. Este ano ocorreram dezenas de evacuações médicas e transferências de trabalhadores de várias localidades centro-africanas.

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