Iémen: enviado especial da ONU diz que há agora uma nova esperança para a paz 

14 dezembro 2018

Martin Griffiths informou o Conselho de Segurança sobre acordos assinados entre as partes do conflito; representante disse que empenho da comunidade internacional foi fundamental; fome agrava-se com 20 milhões de iemenitas em situação de insegurança alimentar.

O enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iémen informou o Conselho de Segurança de que foi dado um passo decisivo para a paz no país.

Martin Griffiths explicou que após dois anos e meio de “oportunidades perdidas”, o processo político para encontrar uma solução abrangente para o conflito foi retomado.

Acordos

Iêmen: dois terços da população enfrenta insegurança alimentar.
A fome está agravar-se no país com 20 milhões de iemenitas, dois terços da população enfrenta insegurança alimentar. PMA/ Marco Frattini

O representante explicou que durante as negociações, que tiveram lugar na última semana na Suécia, as partes em conflito chegaram a vários acordos.

Elogiando a dedicação dos participantes e o empenho da comunidade internacional, Griffiths lembrou o papel crucial do secretário-geral da ONU neste processo. 

Explicando os detalhes das negociações, o enviado especial informou que as partes concordaram finalmente com o fim das batalhas na cidade de Hodeida, que inclui retiradas mútuas faseadas, o que será alcançado no contexto de um cessar-fogo.

Para que isso aconteça, Griffith pediu às Nações Unidas acompanhem o cumprimento desses compromissos, lembrando que um monitoramento robusto competente é essencial.

O representante explicou também que se chegou a um entendimento mútuo para aliviar a situação em Taiz. Haverá a abertura de corredores humanitários para permitir a passagem segura de mercadorias e pessoas, através das linhas de frente, a redução dos combates na província e a libertação ou troca de prisioneiros.

Para tal, foi acordada ainda a criação de um comitê conjunto, liderado pela ONU, para coordenar estas operações.

Desafios

Apesar dos avanços, Griffiths informou também que é ainda necessário finalizar os acordos sobre a abertura do aeroporto de Sanaa e as medidas necessárias para melhorar as operações do Banco Central do Iémen para o pagamento integral dos salários de todos os funcionários públicos.

As partes concordaram em encontrar-se novamente no final de janeiro para uma nova etapa de negociações.

O representante terminou a sua intervenção dizendo estar confiante dos avanços mas ciente de que “o trabalho duro começa agora.”

Assistência Humanitária

Lowcock confirmou que uma “terrível tragédia” continua a afetar o Iémen, com “milhões de pessoas famintas, doentes e desesperadas.”
Lowcock confirmou que uma “terrível tragédia” continua a afetar o Iémen, com “milhões de pessoas famintas, doentes e desesperadas.” Foto ONU/ Eskinder Debebe

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, também informou o Conselho de Segurança sobre a situação do Iémen.

Depois de uma viagem ao país muito recentemente, Lowcock confirmou que uma “terrível tragédia” continua a afetar o Iémen, com “milhões de pessoas famintas, doentes e desesperadas.”

O representante diz que apesar dos sinais animadores nos bastidores diplomáticos, os iemenitas “não vêm melhorias tangíveis” nas suas vidas.

Segundo ele, a fome está agravar-se no país com 20 milhões de iemenitas, dois terços da população enfrenta insegurança alimentar.

Adicionalmente, a crise económica deixou milhões de pessoas incapazes de comprar alimentos e outros bens essenciais, com os preços dos produtos alimentares 150% mais altos do que antes da crise.

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