Unicef: Metade das crianças sírias cresceu em cenário de violência

14 dezembro 2018

Cerca de 4 milhões de crianças nasceram desde o início do conflito; guerra arrasta-se há quase oito anos; chefe da agência das Nações Unidas fez visita ao país.

Com cerca de 4 milhões de pessoas nascidas na Síria desde o início do conflito há oito anos, metade das crianças do país cresceu em cenário de guerra.

Por isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, defende que é necessário apoiá-las, onde quer que estejam, para atender as suas necessidades imediatas e futuras.

Vacinas

Henrietta Fore afirmou que “cada criança de 8 anos na Síria tem crescido num cenário de perigo, destruição e morte.Foto Unicef/ Christine Nesbitt

No final de uma visita de cinco dias ao país, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que “cada criança de oito anos na Síria tem crescido num cenário de perigo, destruição e morte. A representante alerta que estas crianças “precisam poder voltar à escola, receber vacinas e de se sentirem seguras e protegidas.”

Durante a visita a áreas que só recentemente são acessíveis, Fore viu em primeira mão como o conflito afetou famílias, crianças e as comunidades em que vivem.

Ameaças

Em Douma, no leste de Ghouta, apenas alguns meses após o fim do cerco de cinco anos, as famílias deslocadas começam a retornar. Muitas delas mudaram-se para edifícios danificados e a ameaça de explosivos não-detonados é generalizada. Segundo a agência, desde maio passado, 26 crianças terão sido mortas ou feridas em todo o leste de Ghouta, como resultado de explosivos remanescentes de guerra.

A responsável lembra que em Douma “as famílias vivem no meio de escombros, lutando por água, comida e aquecimento durante o inverno".  Fore  adiantou ainda que “há 20 escolas, todas estão sobrelotadas que necessitam de formação para jovens professores, livros, materiais escolares, portas, janelas e eletricidade.”

O Unicef informa que o nível de destruição em Douma é tal, que uma organização não-governamental parceira montou uma clínica informal no salão de uma mesquita danificada.

Em Douma apenas alguns meses após o fim do cerco de cinco anos, as famílias deslocadas começam a retornar, muitas mudaram-se para edifícios danificados.Unicef/ Khuder Al-Issa

Violência

Em Hama, a diretora executiva do Unicef visitou um centro onde jovens meninos e meninas aprendem a combater a violência de género.

Neste centro, um jovem de 15 anos contou à responsável que "desde o início do conflito, crianças e jovens se tornaram cada vez mais violentos" e que “o bullying, o assédio, os espancamentos e o casamento precoce aumentaram.”

Ele acredita que crianças e jovens veem a violência com normalidade porque é a realidade que conhecem.

No último dia da viagem, Fore visitou Deraa, lar de quase 1 milhão de pessoas. Os níveis de deslocamento na província são altos, sobrecarregando os serviços limitados.

Metade dos 100 centros de saúde primários da província foram danificados ou destruídos.

Em áreas que ainda são de difícil acesso, o Unicef renova o seu apelo às autoridades sírias para que assegurem a ação regular e incondicional das agências humanitárias para que seja possível continuar a prestar assistência imediata.

Assita ao vídeo em inglês para saber mais sobre a visita da diretora executiva do Unicef à Síria:

 

Inscreva-se aqui para receber notícias da ONU News por email

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Unicef: há 15 mil crianças sem pais ou desaparecidas no Sudão do Sul

Agência e parceiros já conseguiram reunir cerca de 6 mil crianças famílias; crianças desacompanhadas são mais suscetíveis à violência, abuso e exploração, Unicef acredita que acordo de paz assinado recentemente ajudará a assistência humanitária.

Crianças correspondem a um terço de pacientes com ebola na RD Congo

Unicef alerta que  um em cada 10 pacientes com a doença tem menos de cinco anos; surto iniciado em agosto deixou mais de 400 crianças órfãs ou desacompanhadas em Kivu do Norte.