Acordo de cessar-fogo em Hodeida marca encerramento de consulta política sobre Iêmen
BR

13 dezembro 2018

Chefe da ONU disse que desfecho permite que organização assuma papel de liderança no porto; entendimento deve facilitar acesso de ajuda humanitária aos civis; novo encontro entre as partes acontecerá no final de janeiro.

O secretário-geral das Nações Unidas disse esta quinta-feira que as partes em conflito do Iêmen concordaram num cessar-fogo em Hodeida e na retirada de suas forças da cidade portuária.

Falando no encerramento da semana de consultas políticas em Estocolmo, na Suécia, António Guterres disse que o próximo encontro entre as partes está previsto para o final de janeiro.

ONU assumirá um papel de liderança para facilitar o acesso humanitário e o fluxo de mercadorias aos civis. Foto: Unicef/Ahmed Abdulhaleem

Mercadorias

As Nações Unidas e a Suécia apoiam o diálogo, que segundo o chefe da organização deverá decidir a saída das forças do porto de Hodeida. O representante disse que a ONU assumirá um papel de liderança no porto, o qual deverá facilitar o acesso humanitário, o fluxo de mercadorias aos civis e melhorar as condições de vida de milhões de iemenitas.

Guterres afirmou que as partes envolvidas também chegaram a um entendimento para aliviar a situação da cidade de Taiz, no norte. A expectativa é que esse acordo leve à abertura de corredores humanitários e à facilitação da desminagem” na terceira maior área urbana do Iêmen”.

Para o secretário-geral, os acordos anunciados esta quinta-feira “significam muito, não só para o povo iemenita, mas para a humanidade, se isso for um ponto de partida para a paz e para acabar com a crise humanitária no Iêmen”.

Troca

O chefe da ONU lembrou que antes das partes chegarem aos encontros desta semana já haviam concordado em trocar prisioneiros. As reuniões de Genebra ficam marcadas pelo acordo sobre o calendário e os detalhes para implementar essa troca que vai permitir que “milhares de iemenitas se reúnam com suas famílias”.

Guterres disse que o fato de as partes terem concordado em participar na próxima reunião é um passo muito importante. A sessão deve discutir o quadro negocial que para o secretário-geral é “um elemento crítico de qualquer futuro acordo político para acabar com o conflito”.

O Iêmen enfrenta a pior crise humanitária do mundo que deixou mais de 24 milhões de pessoas, ou três quartos da população, sem assistência e proteção.

Fim

Numa mensagem publicada no Twitter, António Guterres disse esperar que o mundo esteja assistindo "ao princípio do fim de uma das maiores tragédias do século 21, o conflito no Iêmen, uma das maiores crises humanitárias no mundo."

Insegurança

As Nações Unidas calculam ainda que cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, sendo que metade delas não sabem como será a próxima refeição.

Guterres declarou que os representantes iemenitas podem mudar essa situação e que têm o país em suas mãos. Ele destacou ainda que as consultas políticas são uma oportunidade preciosa e expressou satisfação com os “progressos reais” alcançados na Suécia.

As sessões foram acompanhadas pela ministra das Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallström, e pelo enviado especial do secretário-geral para o Iêmen, Martin Grifffiths.

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