COP24: a Grande Muralha Verde que deve atravessar a África
BR

12 dezembro 2018

Iniciativa tem ambição de construir um “muro” de árvores de oeste a leste do continente africano; objetivo é transformar a vida de milhares de pessoas que sofrem com desertificação e mudança climática nas regiões do Sahel e do Saara.

Há mais de uma década um projeto procura devolver a vida às paisagens degradadas da África numa escala sem precedentes. A ambição é construir um muro de árvores de 8 mil km que atravesse o continente de leste a oeste.

A chamada “Grande Muralha Verde” deve ir do Djibuti ao Senegal., by Foto: FAO/Giulio Napolitano

A chamada “Grande Muralha Verde” deve ir do Djibuti, um país que fica no nordeste da África até à cidade de Dakar, no Senegal. Quando completada, ela será a maior estrutura viva no planeta.

Muro

O muro ecológico está sendo implementado em mais de 20 países e mais de 8 bilhões de dólares foram coletados ou prometidos em apoio ao projeto. A ideia é que o muro transforme as vidas de milhares de pessoas que sofrem com a desertificação e a mudança climática nas regiões do Sahel e do Saara.

De acordo com a ONU, a expectativa é de que ele possa ajuda na solução de muitas ameaças que castigam as comunidades da região, como a seca, a fome, os conflitos e a migração.

Visão

O cientista responsável pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Barron Joseph Orr, explicou que “a iniciativa representa uma visão que começou há algum tempo”. Nessa altura a questão era se seria possível tentar “lidar explicitamente com a área e mudar tudo, não em um ou dois lugares, mas em todo o horizonte.”

Orr participa da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, na cidade de Katowice, na Polônia.

O cientista contou que a intensão inicial era transformar a área em “algo verde”, plantando árvores, mas na verdade o que o projeto tenta fazer é “criar um valor agregado para as pessoas que vivem nessas terras, não apenas plantando árvores, mas fazendo de uma forma ligada à economia que sirva para sustentar a subsistência delas e de futuras gerações."

©FAO/Giulio Napolitano
No Níger, 5 milhões de hectares de terra recuperados agora produzem 500 mil toneladas de grãos por ano.

Mudanças

No Senegal, em menos de uma década, já foram plantadas 12 milhões de árvores resistentes à seca. No Níger, nos 5 milhões de hectares de terra já recuperados são agora produzidas 500 mil toneladas de grãos por ano. Na Etiópia, 15 milhões de hectares de terras degradadas foram reabilitadas.

Para Orr, o “sentimento geral é de que que se está caminhando em direção à meta, que é muito grande, são 100 milhões de hectares de terra que estão sendo recuperados." De acordo com o cientista, a expectativa é de que o projeto esteja concluído até 2030 e que com ele, 10 milhões de empregos verdes sejam criados. 

Parceria

A iniciativa, liderada pela União Africana, teve a colaboração de muitas organizações como o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, e a ONU Meio Ambiente.

Orr explicou também que além deste projeto no Sahel, a União Africana prevê expandir a iniciativa até o sul do continente e existem também outros projetos semelhantes ao redor do planeta, como um relacionado à Rota da Seda na China.

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