Couro de peixe do Quénia é exemplo de iniciativa sustentável para moda

12 dezembro 2018

Produto desperta interesse de designers no país africano e no mercado europeu; companhia de processamento quer que 60% dos trabalhadores sejam mulheres e jovens locais.

O uso do couro de peixe é exemplo de uma iniciativa sustentável que envolve o trabalho de membros de comunidades quenianas. O produto tem impacto na indústria de moda. 

Mais de 300 residentes na área queniana de Kitale, no extremo sul do país, produzem e processam o couro de peixe em iniciativa que pretende agregar valor ao pescado local e criar empregos alternativos.

Mais de 300 residentes na área queniana de Kitale, no extremo sul do país, produzem e processam o couro de peixe. Foto: Unifeed/Reprodução

Armazenamento

O empreendimento começou com a Victoria Farms, uma companhia liderada por James Ambani. Os pescadores do Lago Turkana fornecem o peixe do poleiro do rio Nilo à fábrica de Ambani, que depois de ser refrigerado vai para Kitale.

Nessa área, a matéria-prima é processada e o produto final enviado para todo o país e para o estrangeiro onde o couro de peixe já desperta o interesse de designers de moda.

Em geral, as indústrias pesqueiras processam o peixe em filetes e grande parte da pele não é utilizada, ou é vendida como um produto alimentar de baixo valor.

O presidente da Victoria Farms, James Ambani, explica os benefícios de produzir couro de peixe para ser usado pela indústria da moda.

Reprodução/Unifeed
Projeto da FAO busca agregar valor ao pescado para aumentar a renda e oferecer oportunidades adicionais de emprego dentro do setor pesqueiro.

Permissão

Segundo o empreendedor, o peixe produz o que é considerado couro exótico, tal como couro de répteis que estão em perigo de extinção. O couro de crocodilo ou couro de cobra estão ameaçados mas não o do peixe, que ele considera uma boa alternativa. Ele acrescentou que o produto não precisa de permissão internacional para exportar tal como ocorre com espécies de animais em extinção. Ambani acredita que em breve vai aumentar a popularidade do produto e a demanda no mercado.

Em 2013, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, lançou a Iniciativa Blue Growth, ou Crescimento Azul, com a meta de equilibrar o manejo sustentável dos recursos aquáticos com benefícios econômicos e sociais.

Junto às comunidades de pescadores, o projeto busca agregar valor ao pescado para aumentar a renda e oferecer oportunidades adicionais de emprego dentro do setor pesqueiro.

O avanço da iniciativa parte da Parceria Global da ONU para a Moda Sustentável é considerado promissor para as comunidades pesqueiras e de processamento de pescado.

Roupas de couro de peixe e seus acessórios são exclusivos e extremamente duráveis, além serem mais leves do que as do couro de vaca. Foto: Reprodução/Unifeed

Alinhamento

As vantagens do uso do couro do peixe do rio Nilo incluem seu tamanho relativamente grande. A pele tem superfície mais larga em comparação com a maioria de peixes. O alinhamento do couro de poleiro é cruzado e não paralelo, o que o torna o segundo tipo mais forte.

Roupas de couro de peixe e seus acessórios são exclusivos e extremamente duráveis, além serem mais leves do que as do couro de vaca.

O designer queniano Jamil Walji, chefe da Designer da JW Couture, criou modelos com couro de peixe produzido na Victorian Foods para um desfile da Blue Fashion realizado na Conferência de Economia Azul na capital queniana Nairóbi.

Ele disse que se inspirou em criar roupas com o couro de peixe combinando com o tecido local, o leso, a pele de peixe e materiais europeus. Essa mistura inédita criou uma forma de olhar para os produtos de couro.

A meta da Victoria Farms é expandir a produção e garantir que 60% dos trabalhadores que processam o couro de peixe sejam mulheres e jovens locais.

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