Prêmio Nobel da Paz entregue à ativista Nadia Murad e ao médico Denis Mukwege
BR

10 dezembro 2018

Cerimônia em Oslo aconteceu dois meses após anúncio dos vencedores; iraquiana pediu justiça e julgamento de autores da violência sexual; cirurgião congolês propõe fundo global para indemnizar vítimas da prática em conflitos armados.

O Prêmio Nobel da Paz foi entregue esta segunda-feira ao médico fundador de um hospital no leste da República Democrática do Congo, Denis Mukwege, e à ativista iraquiana Nadia Murad em Oslo na Noruega.

Os homenageados receberam uma medalha de ouro, um diploma e partilham o valor de cerca de US$ 1 milhão do Comitê do Prêmio Nobel.

Denis Mukwege é um ginecologista que ajuda as vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo. Foto ONU/JC McIlwaine

Justiça

Ao discursar na cerimônia, a ativista Nadia Murad, de 25 anos, pediu justiça para as vítimas de violência sexual em conflitos no mundo. Ela destacou que “o único prêmio que pode restaurar a dignidade é a justiça e o julgamento de criminosos”.

Murad é a primeira cidadã iraquiana que recebeu este reconhecimento desde a primeira vez em que foi atribuído em 1901. Ela escapou da violência sexual do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante em 2014.

Já Denis Mukwege tratou dezenas de milhares de vítimas dos conflitos no seu país em mais de 20 anos. Ele declarou que a comunidade internacional não deve permitir que os congoleses sejam “humilhados, abusados e massacrados por mais de duas décadas”.

O homenageado pediu medidas de compensação para os sobreviventes e que lhes permitam começar uma nova vida, apelando aos Estados que apoiem “a criação de um fundo global para indenizar vítimas de violência sexual em conflitos armados".

Nadia Murad é embaixadora da Boa Vontade do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc. Foto: ONU/Mark Garten

Conflitos

O anúncio dos dois premiados aconteceu em outubro pelos seus “esforços para acabar com o uso da violência sexual como meio de guerra e conflito armado”.

Quando os vencedores foram anunciados, o secretário-geral da ONU, António Guterres disse que com esta distinção o Comitê também reconhecia inúmeras vítimas dessa prática que têm sido muitas vezes estigmatizadas, escondidas e esquecidas no mundo.

O chefe da ONU lembrou ainda que o reconhecimento ocorria uma década após a condenação de forma unânime pelo Conselho de Segurança “da violência sexual como um método de guerra".

 

 

 

 

 

 

 

 

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