Economia azul é oportunidade “excelente” para parcerias entre países de língua portuguesa

9 dezembro 2018

Diretor na Comissão Econômica da ONU para África fala de possíveis trocas envolvendo as nações do bloco; António Pedro vê oportunidades para cooperar, apesar de diferentes estágios de desenvolvimento.

As Nações Unidas realizaram uma reunião de alto nível que esta semana abordou lacunas e desafios dos países de renda média na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Entre as dezenas de participantes no evento esteve o diretor regional do Escritório da Comissão Econômica da ONU para África, ECA, que é responsável pela região central do continente.

Objetivos

Após o encontro, António Pedro falou com a ONU News do potencial de países lusófonos nos esforços internacionais para cumprir os objetivos globais. Para o representante, a atividade econômica no setor dos oceanos, ou economia azul, é um campo a ser explorado.

“Os países estão em diferentes níveis de desenvolvimento. Isso por si só oferece oportunidades para a colaboração, para trocas de experiências. A troca de experiências pode ser feita em grandes domínios. Por exemplo, no que diz respeito à economia azul. Neste caso particular, interessaria a São Tomé e Príncipe, a Angola, a Guiné-Bissau, a Moçambique e ao Brasil.”

Portugal é o único país do bloco lusófono entre as economias em nível de desenvolvimento econômico e social alto. Todos as outras economias da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, estão em desenvolvimento.

Partilha

António Pedro destacou que essa diferença pode impulsionar a cooperação técnica no bloco e apoiar a partilha de soluções para os desafios nacionais.

ONU/Joerg Blessing
Atividades como pesca e aquacultura podem gerar cerca de US$ 100 bilhões por ano.

“É um domínio excelente para colaboração, tanto no que diz respeito ao aproveitamento de fundo marinhos, quando o Brasil já tinha um quadro de cooperação com todos os países do Atlântico Sul. Então, esse quadro pode-se estender a tudo o que seja os países dos Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).”

As Nações Unidas estimam que  a economia do oceano tem um volume de negócios estimado em até US$ 6 triliões por ano. Nesse rendimento estão envolvidas áreas como emprego, serviços, ecossistemas do oceano e cultura.

Economia Global

A organização calcula ainda que atividades como pesca e aquacultura possam gerar cerca de US$ 100 bilhões por ano e até de 260 milhões de empregos para a economia global.

Apesar disso, o economista mencionou que países de renda média, como Cabo Verde, devem ter apoio contínuo que “favoreça os fluxos de financiamento”, mesmo depois de passarem a fazer parte dessa categoria. As Nações Unidas apoiam Angola no processo para graduar para essa etapa até 2021.

António Pedro declarou que se essa ajuda não acontecer, haverá um aumento de pessoas em situação de pobreza absoluta que irá afetar várias áreas sociais nessas economias. 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud