COP24 discute uso de veículos elétricos na construção de um futuro sustentável
BR

8 dezembro 2018

Setor do transporte e necessidade urgente de soluções sustentáveis estão entre os temas centrais da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24; de acordo com a ONU, setor é responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa.

Pelas estradas e ruas do mundo circulam cerca 1 bilhão de veículos. De acordo com o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, estes carros são responsáveis por um quarto das emissões de gases de efeito estufa.

OMS: poluição do ar é agora a quarta maior causa de mortes no mundo , by Foto ONU/Albert González Farran

O índice é 70% mais alto do que há 30 anos. As Nações Unidas alertam que se ações urgentes não forem tomadas até 2040, este número pode duplicar.

Debates

O setor de transportes é um dos temas centrais discutidos durante as duas semanas da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24.

A ONU News conversou com o presidente da Aliança para a Descarbonição dos Transportes, José Mendes, que está participando nos debates sobre o tema que acontecem na Polônia, na cidade de Katowice.

“A procura por transportes vai aumentar em todo mundo, não vai reduzir, e portanto, importa reduzir substancialmente a intensidade carbônica dos nossos melhores transportes, dos nossos veículos, sob pena de termos um setor, como eu costumo dizer, é um ‘elefante na sala’. Ou seja, é aquele setor que está fora de vista e que não está neste momento contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa. Há um debate grande aqui na COP, há um sentimento de que é preciso alterar a forma de energia que abastece os nossos veículos, nomeadamente através da eletrificação.”

Transporte público

A Aliança para a Descarbonizção dos Transportes reúne 20 países, cidades e empresas comprometidas em promover o uso de transportes com baixas emissões.

Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, na COP24, by Arquivo pessoal

De acordo com José Mendes, entre os debates sobre o tema na COP24 também estão a importância do uso do transporte público e de meios de mobilidade mais sustentáveis como as bicicletas e o incentivo para que as pessoas caminhem mais.

Neste sentido, o também secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade de Portugal diz que o país tem feito progressos. Entre estes, está o investimento em modelos mais avançados de mobilidade, a criação de leis que estimulem o transporte partilhado como o Uber e os projetos de adesão ao transporte público.

“Portugal fará em 2019, está já previsto em orçamento do Estado aprovado recentemente, fará um grande esforço de reduzir substancialmente o custo do transporte, isso vai ser uma revolução porque acreditamos que vai atrair uma faixa substancial da população para uso do transporte público e isso é uma faz formas de sermos capazes de trazer mais eficiência ao sistema de mobilidade.”

COP24

A COP 24 reúne líderes mundiais e milhares de responsáveis pela tomada de decisões, ativistas ligados à ação climática. O objetivo é que sejam adotadas diretrizes para os 197 signatários do Acordo de Paris de 2015, quando países se comprometeram em limitar o aquecimento global em menos de 2 °C e o mais próximo possível de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.

Durante o evento, várias partes envolvidas na ação climática adotaram uma proposta chamada “Conduzindo a Mudança Juntos” do Reino Unido e da Polônia. Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a declaração é um “passo essencial em direção a um sistema de transporte descarbonizado” e fez um apelo para que todos os atores o apoiem.

Poluição

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, a poluição do ar é agora a quarta maior causa de mortes no mundo provocando cerca de 7 milhões de óbitos por ano.

Para a diretora de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, o “verdadeiro custo da mudança climática é sentido nos hospitais e nos pulmões”.

Secretário-geral, António Guterres, na COP 24, na cidade da Katowice, na Polônia, by Foto Unfccc

Veículos Elétricos

Os primeiros veículos elétricos foram produzidos e vendidos no início dos anos de 1900. As vendas atingiram o pico nos primeiros anos da década de 1910.

Mas os desenvolvimentos tecnológicos e a descoberta de grandes reservas de petróleo substituíram o veículo elétrico em favor do motor de combustão.

António Guterres notou num evento de alto nível sobre mobilidade elétrica na COP24 que “agora, quase 100 anos depois, os veículos elétricos estão retornando e precisam substituir cada vez mais os motores de combustão para ajudar na redução das emissões e da poluição atmosférica.”

Eletricidade

O secretário-geral também destacou que o “aumento dos veículos elétricos terão um grande impacto na demanda por eletricidade e isso precisa ser levado em consideração.”  Guterres disse ainda que a demanda adicional precisa ser gerenciada com cuidado e que “criará desafios em todos os setores do Sistema de energia, principalmente nos períodos de pico.”

A ONU acredita que para prevenir o problema, é preciso que se façam investimentos para gerar eletricidade através de recursos renováveis, que não sejam de combustíveis fósseis, e garantam uma sólida cadeia de fornecimento.

Ideias

Um relatório recente do Banco Mundial apresentou uma lista com algumas ideias e comprometimentos de países e cidades na promoção de um setor de transporte mais sustentável: 

  • O Reino Unido e a França pretendem banir todas as novas vendas de veículos a gasolina ou diesel após 2040; o tema também está sendo discutido na China;
  • A África do Sul tem como meta reduzir em 5% a emissão de gases de efeito estufa pelo setor de transportes até 2050;
  • A capital do Equador, Quito, está apostando em frotas de ônibus elétricos; 
  • O governo da Coreia do Sul planeja fornecer 1 milhão de veículos elétricos nos próximos dois anos;
  • A Índia está discutindo a possibilidade de que 15% dos carros no país sejam elétricos até 2023.    

 

 

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