ONU investiga agressões sexuais contra pelo menos 125 mulheres no Sudão do Sul
BR

3 dezembro 2018

Vítimas estavam em viagem com destino à cidade de Bentiu nos últimos dias; forças de paz debateram assunto com governo e aumentaram patrulha nessas àreas; apelo ao exército é que aumente controle para evitar ações dos desonestos nas tropas.  

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss,  condenou uma “série de agressões sexuais brutais” contra dezenas de mulheres e meninas que viajavam de suas aldeias para a cidade de Bentiu, no estado de Unidade.

Cerca de 125 vítimas procuraram tratamento médico nos últimos 10 dias, após terem sido estupradas ou abusadas sexualmente. Em nota, a operação de paz destaca que elas caminhavam em estradas perto das áreas de Nhialdu e Guit.

Civis e militares

De acordo com os relatos das vítimas, os ataques foram realizados por jovens com roupas de civil ou com uniformes militares. Além de violação sexual, elas foram brutalmente espancadas e roubadas, destaca a Unmiss.

O chefe da missão de paz, David Shearer, afirmou que esses ataques a civis vulneráveis são absolutamente abomináveis e devem parar.

O também representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul destaca que os ataques violentos aconteceram numa área controlada pelo governo, que “tem responsabilidade primária pela segurança dos civis”.

Mulheres e meninas

A Unmiss realizou reuniões urgentes com as autoridades sul-sudanesas e apelou que “sejam tomadas medidas imediatas para proteger as mulheres e meninas” na área, além de responsabilizar os autores desses crimes.

As forças de paz já enviaram patrulhas para proteção das pessoas na área, onde ocorre uma investigação da equipe de direitos humanos da Unmiss para identificar os responsáveis.

David Shearer disse que engenheiros da operação de paz retiram a vegetação nas áreas laterais das estrada, para que os atacantes tenham mais dificuldade de se esconder.

A missão fez um apelo às Forças Armadas que estão na área para “garantirem o comando e o controle sobre suas tropas, para assegurar que elementos desonestos em suas tropas não estejam envolvidos nesses atos criminosos”. 

Ataques

O subsecretário-geral dos Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, e a diretora executiva do Unfpa, Natalia Kanem, assinaram uma declaração reagindo ao tema.

O apelo é que “as autoridades relevantes denunciem publicamente os ataques e garantam que os responsáveis por estes crimes enfrentem a justiça”. Eles acrescentaram que “todas as partes do conflito devem manter suas obrigações perante a lei internacional humanitária e cessar os ataques aos civis.”

A declaração enfatiza que ao ocorrer durante a “campanha internacional dos ’16 Dias de Ativismo Contra a Violência de Gênero’ os ataques relembram que um amplo padrão de violência de gênero, incluindo a violência sexual, continua no Sudão do Sul.”

Número real de casos

Os chefes das três agências também destacam que nos primeiros seis meses de 2018, cerca de 2,3 mil casos de violência de gênero foram relatados, a grande maioria perpetrada contra mulheres e meninas. Mais de 20% das sobreviventes que se apresentaram são crianças.

O documento realça que tendo em conta que casos da violência de gênero continuam pouco reportados, o número real de casos é muito maior.

As agências pedem que “as autoridades garantam a proteção e a segurança tanto dos civis como dos trabalhadores humanitários, para assegurar que outras violações graves sejam prevenidas e que a assistência alcance aqueles que precisam.”

 

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