ONU alerta para o problema dos desaparecidos na Síria
BR

28 novembro 2018

Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria alerta para necessidade de informações sobre destino e localização de pessoas detidas e desaparecidas; presidente da comissão diz que é preciso investigar e saber quantas pessoas desapareceram.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria chama atenção para o fato de que muitas das famílias ficaram sabendo da morte de pais, maridos e filhos, pela primeira vez, em maio de 2018, através de dados fornecidas pelo governo da Síria.

De acordo com a Comissão, se acredita que muitas destas informações refletem as mortes de pessoas que teriam sido detidas pelas autoridades governamentais entre 2011 e 2014. Também se considera que estas mortes em custódia podem ter ocorrido em locais de detenção controlados pelos serviços de inteligência sírios ou agências militares.

Presidente da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro
Presidente da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro , by Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Famílias

Em conversa com a ONU News, de Genebra, o presidente da Comissão, Paulo Pinheiro, disse que os sírios precisam receber informações precisas do que aconteceu com os detidos e os desaparecidos durante o conflito.

“Essa guerra está durando muito tempo, nós estamos entrando no oitavo ano, e só agora o governo resolveu fornecer algumas centenas de certificados de morte, mas muito imprecisos, somente com um ataque de coração ou um outro motivo, sem nenhuma precisão de onde ocorreu e como foi. Isso é um sinal de que o governo da República Árabe da Síria tem informações a respeito das pessoas que foram detidas. Então, para nós, é muito importante nos colocarmos na perspectiva das vítimas, das famílias, e verificarmos o que é que elas querem. Elas querem é saber onde estes entes queridos estão, se estão mortos, se estão vivos.”

Padrão Generalizado

De acordo com o comunicado, a Comissão já documentou anteriormente o padrão generalizado e sistemático com que homens com mais de 15 anos são presos arbitrariamente e detidos pelo Governo ou forças armadas e milícias atuando em seu nome, durante prisões em massa, em pontos de verificação ou buscas domiciliares.

O documento diz ainda que após serem levados para centros de detenção do governo, os detidos são frequentemente vítimas de violência. Muitos acabam morrendo devido a tortura, condições de vida desumanas, falta de assistência médica adequada ou negligência intencional.

Desaparecidos

O comunicado acrescenta que em muitos casos as famílias são obrigadas a pagar suborno para receberem informações. Em outras ocasiões, eles nunca são informados da localização dos familiares detidos e nunca mais vêm os membros da família.

Paulo Pinheiro diz que é preciso uma investigação sobre os desaparecidos.

“Nós temos o dever de tratar dos desaparecimentos, este é o problema em todas as guerras. Foi o que aconteceu em todas as ditaduras da América do Sul ou em outros conflitos internacionais. É preciso se investigar, é preciso obter informações para saber quantas são as pessoas desaparecidas.”

Recomendações

Paulo Pinheiro também destaca as recomendações que a Comissão fez ao governo.

“Há várias recomendações ao governo, que precisa facultar o acesso às organizações especializadas, por exemplo, o comitê internacional da Cruz Vermelha, a todos os espaços de detenção. Isso é uma coisa normal, que acontece em todo o fim de conflitos. Nos conflitos que estão terminando é assim que faz.”

O presidente da Comissão acrescenta que é preciso reunir, consolidar e analisar informações sobre o conflito da Síria para que seja possível ter uma visão em relação aos desaparecidos.

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud