Chefe da ONU pede caminho para solução de dois Estados a Israel e Autoridade Palestina
BR

28 novembro 2018

Secretário-geral e presidente da Assembleia Geral discursaram em evento realizado para marcar Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino; sessão aconteceu na véspera da data marcada a 29 de novembro.

O secretário-geral, António Guterres, disse que há mais de 40 anos, a Assembleia Geral proclamou o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino para “lembrar da tarefa coletiva inacabada de resolver a questão da Palestina.”

O chefe da ONU discursou esta quarta-feira num evento na Câmara do Conselho de Tutela da ONU, em Nova Iorque, sobre a data que se marca em 29 de novembro. A presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, também participou no encontro.

Desafios

O secretário-geral, António Guterres., by ONU/Mark Garten

António Guterres afirmou que, ao longo das últimas décadas, este tema se tornou um dos desafios mais difíceis da comunidade internacional e que teve “resultados trágicos.”

Segundo ele, atividades como demolições, expansão e construção ilegais de assentamentos, despejos forçados e medidas punitivas coletivas não trarão a paz. O mesmo se aplica para a violência e a incitação.

Ele acredita que “somente negociações construtivas, de boa-fé e que sigam os parâmetros estabelecidos há muito tempo e acordados para uma solução de dois Estados, trarão a solução desejada e duradoura.”

O apelo do chefe da ONU é que todos os envolvidos, em primeiro lugar os líderes de Israel e da Autoridade Palestina tomem medidas ousadas e restaurem a fé na promessa da Resolução 181.  O documento estabelece dois Estados, vivendo lado a lado em paz e segurança, com fronteiras baseadas nas linhas de 1967 e Jerusalém como a capital de ambos.

Segundo ele, “essa é a única maneira de alcançar os direitos inalienáveis ​​do povo palestino e a única opção para uma paz compreensiva e justa.”

Gaza

O chefe da ONU disse que os corações de todos estavam “pesados ​​com o sofrimento do povo de Gaza.” Ele pediu que Israel suspenda as restrições ao movimento de pessoas e bens, dizendo que também dificultam os esforços das Nações Unidas e de outras agências humanitárias.

O representante pediu depois ao movimento Hamas, e outros grupos  de milícias, que parem de se mobilizar em Gaza, incluindo o lançamento de foguetes e dispositivos incendiários com direção a Israel.

Sobre a violência durante as manifestações na cerca de Gaza, Guterres disse que é motivo de grande preocupação. Para ele, “os palestinos em Gaza têm queixas legítimas e o direito de se manifestar pacificamente”, mas “o Hamas e os líderes das manifestações têm a responsabilidade de impedir ações e provocações violentas.”

Dificuldades

Quanto a Israel,  “tem a responsabilidade de exercer a contenção máxima e de não usar força letal, exceto como último recurso contra a ameaça iminente de morte ou ferimentos graves.”

Apesar dessas dificuldades, Guterres disse  estar encorajado pela recente redução da violência em Gaza.

O chefe da ONU também elogiou os esforços do governo do Egito e dos principais parceiros, que tentam melhorar a situação humanitária em Gaza, restaurar a calma e apoiar o regresso de um governo palestino legítimo em Gaza.

Para terminar, Guterres afirmou que “as Nações Unidas não hesitarão em seu compromisso com o povo palestino.”

Assembleia Geral

No seu discurso, a presidente da Assembleia geral afirmou que a “solidariedade com o povo palestino não deve ser enraizada apenas em solidariedade.” Segundo ela, “o povo palestino tem direito a mais do que isso.”

María Fernanda Espinosa afirmou que o mundo  tem “a obrigação de fazer tudo o que estiver ao alcance para acabar com o pesadelo atual.”

Espinosa explicou que “o estado do povo palestino continua sendo uma cicatriz na consciência coletiva de todos” e existe “a responsabilidade de pressionar uma resolução rápida.”

A responsável destacou depois duas áreas de preocupação e uma área de oportunidade.

Quanto às preocupações, Espinosa mencionou a situação humanitária e o financiamento da Agência da Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa.

Para a presidente da Assembleia Geral, a oportunidade existe com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Segundo ela, com investimento suficiente pode se “ajudar a capacitar mulheres e meninas, ampliar o acesso à educação, criar empregos e meios de subsistência e garantir o acesso a cuidados de saúde.”

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