Guterres destaca importância e crescimento da Cooperação Sul-Sul

28 novembro 2018

Chefe da ONU lembra que países do sul já representam mais de metade do crescimento global; ganhos de desenvolvimento foram desiguais e incompletos; Presidente da Assembleia Geral destaca reforço da cooperação nos últimos anos.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, evidenciou a importância da cooperação entre os países do hemisfério sul garantindo que a cooperação Sul-Sul é “um instrumento-chave para a implementação da Agenda 2030 e para uma globalização justa.”

Em discurso na abertura da10ª Exposição Global de Desenvolvimento Sul-Sul, esta quarta-feira em Nova Iorque, Guterres afirmou que “a Cooperação Sul-Sul não pretende substituir a cooperação Norte-Sul” e que constitui “uma ferramenta essencial, que não deve minar as responsabilidades assumidas pelo Norte em relação à Agenda 2030 e em relação ao desenvolvimento global.”

O chefe da ONU considera que agora é o momento de “colocar um foco especial” no empoderamento das mulheres e expandir as oportunidades para os jovens.

Crescimento

Delegados da Cooperação Sul-Sul reúnem-se em Nova Iorque para discutir a erradicação da pobreza e recuperação económica. , by Foto ONU / Manuel Elias

Guterres destacou que os países do sul “contribuíram para mais da metade de todo o crescimento global nos últimos anos” e que o “comércio entre o sul é maior do que nunca, representando mais de um quarto de todo o comércio mundial.”

Na sua intervenção, o secretário-geral disse ainda que “as saídas de investimentos estrangeiros diretos do Sul representam um terço dos fluxos globais de investimento direto estrangeiro.

Guterres informou também que as “remessas de trabalhadores migrantes para países de baixa e média renda atingiram US$ 466 bilhões no ano passado, ajudando a tirar milhões de famílias da pobreza.”

Esta evolução deve-se, segundo o chefe da ONU, a “formas inovadoras de compartilhamento de conhecimento liderado pelo sul, transferência de tecnologia e resposta de emergência.”

Desafios

Para Guterres são visíveis as enormes oportunidades que emanam dos países

do sul mas lembra que os “ganhos de desenvolvimento foram desiguais e incompletos” avisando que “10% da população mundial ainda vive em extrema pobreza”, com mais de “700 milhões de pessoas são incapazes de atender às necessidades básicas.”

António Guterres considera que “as mudanças climáticas e as crescentes desigualdades” representam grandes desafios” por isso, afirmou ser fundamental que se partilhem “soluções domésticas do sul para o desenvolvimento sustentável.”

Numa altura em que se celebram os quarenta anos do Plano de Ação de Buenos Aires e a Segunda Conferência das Nações Unidas de Alto Nível sobre Cooperação Sul-Sul, o líder da ONU considera que é tempo de “fazer um balanço, rever as lições aprendidas e identificar novas oportunidades para o avanço da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”

A 10ª Exposição Global de Desenvolvimento Sul-Sul é organizada pelo Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, Unossc, em colaboração com agências das Nações Unidas e outros parceiros. A exposição envolverá estrategicamente todos os atores do desenvolvimento, incluindo o setor privado, sociedade civil, organizações académicas e filantrópicas, iniciativas concretas desenvolvidas no sul para ajudar a alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Presidente da Assembleia Geral considera que estamos num “momento crucial” para refletir sobre o progresso efetuado., by Foto ONU/Manuel Elias

Cooperação

Também a presidente da Assembleia Geral considera que estamos num “momento crucial” para refletir sobre o progresso efetuado e “os desafios que ainda temos por superar.”

Em discurso, Maria Fernanda Espinosa destacou o crescimento das exportações sul-sul que aumentaram a uma taxa média anual de 13% entre 1995 e 2016.

A representante destacou também o crescimento da Cooperação Sul-Sul lmbarndo que “entre 2015 e 2017, a proporção de países do Sul Global que fornecem cooperação para o desenvolvimento aumentou de 63 para 74%.”

Espinosa defende que é necessário “ampliar e aprofundar a cooperação sul-sul no contexto de novos paradigmas de desenvolvimento” que reflitam “as profundas transformações” do mundo para “responder à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”

Para tal, a presidente da Assembleia geral defende que é “crucial renovar as bases da cooperação internacional e reafirmar que a cooperação sul-sul complementa a cooperação tradicional, sem substituí-la.”

A presidente sublinhou ainda o papel da cooperação sul-sul no fortalecimento do multilateralismo e da integração regional, “facilitando um espaço de intercâmbio e solidariedade que ajuda a aproximar os países do sul e fortalecer suas relações.”

 

 

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