“Há fome tremenda de paz no Afeganistão”, declara agência da ONU 

27 novembro 2018

Declaração é do vice-representante especial da Missão das Nações Unidas no país, Unama; conferência internacional de alto nível acontece até quarta-feira em Genebra.

Começou esta terça-feira, em Genebra, uma conferência internacional de alto nível sobre o Afeganistão para mostrar solidariedade ao povo do país e ajudar a fortalecer os esforços para promover o desenvolvimento, a paz e a segurança.

Falando a jornalistas no início da reunião, o representante especial adjunto da Missão da ONU no Afeganistão, Unama, Toby Lanzer, disse que todos os participantes querem uma solução para acabar com o conflito.

Representante especial adjunto da Missão da ONU no Afeganistão, Unama, Toby Lanzer., by ONU Genebra/Daniel Johnson

Encontro

Lanzer lembrou que 2019 marca 40 anos de instabilidade no Afeganistão. Segundo ele , “a grande maioria das pessoas do país cresceu conhecendo conflitos e nada mais, então há uma tremenda fome de paz.”

Participam no encontro, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, o chefe de governo, Abdullah Abdullah, e chefes da diplomacia incluido da Rússia, da Turquia e da União Europeia. Um dos objetivos da iniciativa é enfatizar a importância do desenvolvimento para assegurar a paz e a segurança.

Progresso

A reunião vai permitir medir o que foi alcançado desde que a comunidade internacional dedicou US$ 15,2 bilhões para o país como parte de um plano de quatro anos, iniciado em 2016.

Lanzer afirmou que o progresso foi "mais rápido e melhor" do que se poderia esperar, incluindo na reforma do setor de segurança do governo.

Os objetivos do plano do Fundo Monetário Internacional, FMI, “não só foram atingidos, foram excedidos”. O alto funcionário afirmou que é preciso mais investimento nos “serviços básicos” de saúde e educação, aprovar legislação fundamental e combater a corrupção.

Segundo ele, é importante que as mudanças na paz, na segurança, no desenvolvimento e no  comércio continuem a ser lideradas pelo Afeganistão.

Humanitária

As atuais necessidades humanitárias no país estão em níveis de emergência para milhões de pessoas. A crise foi causada por uma das piores secas de que há memória,  que destruiu colheitas e gado, atingindo sobretudo a população rural.

Com 3,6 milhões de pessoas vivem com insegurança alimentar crônica, fornecer abrigo para os deslocados pela fome é um dos desafios humanitários mais urgentes antes que o inverno se estabeleça.

Mulher vota em Cabul, no Afeganistão. , by Unama/Fardin Waezi

Segundo o o representante especial adjunto, 675 mil pessoas já regressaram do Irã para o Afeganistão este ano.  Ao mesmo tempo, meio milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no país, devido à violência e à seca.

Eleições

Apesar dos relatos de que a eleição presidencial de 2019 pode ser adiada, Toby Lanzer disse que nenhuma mudança foi ainda comunicada.

O representante disse que a ONU continua "trabalhando com a informação que as eleições presidenciais estão agendadas para 20 de abril."

O responsável destacou ainda as recentes eleições parlamentares, dizendo que marcaram um momento importante porque ocorreram “sem grande apoio organizacional da comunidade internacional”.

Para Toby Lanzer, um dos momentos mais significativos deste ano foi quando o governo de Ashraf Ghani afirmou estar pronto para "conversações sem condições prévias" com grupos Taleban.

Segundo ele, essa nova abordagem “foi acompanhada por um esforço mais concentrado da comunidade internacional.”

 

 

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