Festival da ONU dá prêmio a brasileiro com vídeo sobre povo indígena

23 novembro 2018

Concurso Plural + é dedicado aos temas da migração, diversidade e inclusão social; João Adams Samora conta a história de uma tribo do Peru ameaçada pela poluição e desenvolvimento; outro jovem do Brasil venceu no ano passado. 

O brasileiro João Adams Samora, de 17 anos, foi um dos distinguidos do concurso Plural + da ONU. O jovem participou com um vídeo que conta a história de um povo indígena no Peru. 

A iniciativa envolve a Aliança de Civilizações das Nações Unidas e da Organização Internacional para as Migrações, OIM, com o apoio de uma ampla rede de parceiros internacionais.

História

Samora, que foi distinguido na categoria entre os 13 e os 17 anos, esteve esta semana em Nova Iorque para receber o prêmio. Durante o evento, ele explicou à ONU News que encontrou a história durante uma viagem.

“Aí a gente encontrou uma ilha. Um lugar que é uma tribo andina. Há 500 anos atrás, com a invasão dos espanhóis, dos colonizadores, eles fugiram para o lago Titicaca, que é onde eles conheciam melhor, que é um lago de fronteira entre a Bolívia e o Peru. Há uma poluição no lago Titicaca, que está crescendo muito. Então, o lago ficou poluído e os peixes começaram a diminuir e os pássaros começaram a diminuir. Então, eles tiveram de abrir para o turismo também.”

Desde 2009, mais de 1,5 mil inscrições de 110 países participaram nesta iniciativa. Os vídeos vencedores foram exibidos em dezenas de festivais, cinemas e transmissões em redes de televisão em todo o mundo.

O concurso é dedicado aos temas da migração, diversidade e inclusão social. O jovem acredita que é importante contar estas histórias em 2018.

“Hoje em dia, no Brasil, a gente está com situações desse nível. De, por exemplo, tribos indígenas não conseguirem mais pescar porque as cidades deixaram o rio poluído. Ou coisas até mais graves, no sentido de preconceito contra isso. Hoje em dia, na Amazónia, tribos indígenas são dizimadas, porque são indígenas. E quilombos são totalmente crucificados por serem quilombos. Hoje em dia, tem uma coisa de desmerecer essas culturas muito forte. Então, eu acho importante, hoje mais do que nunca, mostrar que essas culturas são importantes, para as pessoas que acham que realmente indígena não serve para nada, que essa tribo deve morrer, deve ficar na cidade.”

A portuguesa Andreia Friaças, de 22 anos, também está entre os 13 vencedores desse ano.

Importância

Um dos distinguidos do ano passado foi Bruno Tarpani. O brasileiro contou uma história sobre Gabriela, uma jovem brasileira que financia a sua atividade humanitária de apoia a refugiados na ilha de Lesbos, na Grécia, vendendo flores em São Paulo.

Bruno Tarpani, um dos vencedores do Plural + 2017. , by ONU News

Para a ONU News, o cineasta explicou que o prémio ajudou na sua carreira.

“O evento abriu muitas portas, pessoalmente, para mim. Quando você recebe um reconhecimento dessa instituição tão séria, muitas portas se abrem. Particularmente, eu cada vez mais me interesso por retratar temas relacionados a direitos humanos, através da filmagem. Então, ver que esse é um tema que atravessa muitas produções e interessa a muitas gerações, em todo o mundo, foi algo que me impactou bastante e me motiva a continuar.”

Segundo a organização, o festival “convida os jovens do mundo a enviar vídeos originais e criativos com foco nos temas de migração, diversidade e inclusão social.”

O objetivo é “reconhecer a juventude como agentes poderosos de mudança social positiva em um mundo muitas vezes caracterizado por intolerância e divisões culturais e religiosas.”

 

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