Iêmen: busca de mais ajuda e proteção de civis levam enviado da ONU a Hodeida

23 novembro 2018

Martin Griffiths  disse que deve ser mantida promessa internacional de defender o povo de mais devastação;  PMA distribuiu 30 mil cestas básicas para 180 mil pessoas; Unicef e Ocha preocupados com segurança, vidas e infraestruturas.

O enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iêmen visitou esta sexta-feira feira a cidade de Hodeida, como parte dos esforços para uma pausa humanitária no país e para o início de conversações em dezembro na Suécia.

Durante a visita, Martin Griffiths foi acompanhado pela coordenadora humanitária para o país, Lise Grande, e pelo diretor do Programa Mundial de Alimentos, PMA, no Iêmen, Stephen Anderson.

Devastação

Em Genebra, Martin Griffiths disse a jornalistas que na cidade portuária iemenita queria saber, em primeira mão, como pode ser dada mais ajuda e mantida a promessa internacional de “proteção do povo de Hodeida de mais devastação”.

Enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iêmen, Martin Griffiths, no Conselho de Segurança. , by Foto ONU/Eskinder Debebe

O enviado saudou os apelos recentes para a suspensão de combates na área. Para ele, a medida é “um passo essencial para proteger a vida dos civis e criar confiança entre as partes”.

Agências de notícias informaram que os rebeldes houthis anunciaram a suspensão dos ataques, após a coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita ter tomado a mesma medida na semana passada na sequência de um pedido da ONU.

A visita do enviado aconteceu no último dia da distribuição de comida para cerca de 180 mil iemenitas. O PMA entregou 30 mil cestas básicas na cidade marcada por focos de conflito.

Famílias

A agência da ONU já beneficiou mais de 36 mil pessoas com a distribuição de alimentos feita em setembro. A agência defende ainda que a distribuição evita que famílias viajem para buscar comida, colocando sua segurança em risco.

O PMA pediu ainda que a pausa seja mantida, destacando que esta é necessária para centenas de milhares de civis que permanecem na cidade.

O mesmo apelo foi feito esta quinta-feira pelo subsecretário-geral dos Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, e pela diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Henrietta Fore.

Forte Impacto

A declaração conjunta destaca que continua a profunda preocupação com a segurança, a proteção de vidas e as infraestruturas civis.

A nota indica que confrontos das últimas semanas causaram um forte impacto em Hodeida, incluindo em instalações de saúde que foram destruídas pelo fogo cruzado ou ocupadas por grupos armados.

Um dos exemplos dessa situação é o Hospital Al Thawrah. A única instalação de saúde na cidade está equipada para fornecer cuidados secundários e terciários de forma completa que é essencial para milhões de pessoas.

No local é tratada a desnutrição e existem unidades de cuidados intensivos. Um centro de tratamento de cólera atendeu 1.615 pacientes desde agosto de 2018. Mais de 81 mil crianças receberam cuidados em 2017 e outras 45 mil somente este ano.

ONU/Isaac Billy
Coordenadora especial humanitária no Iêmen, Lise Grande, by ONU/Isaac Billy

“Potencial catástrofe”

Com a pausa, o Hospital Al Thawrah continuou funcional e acessível. A nota destaca que a retomada de confrontos poderia rapidamente tornar o local inutilizável. O hospital foi danificado várias vezes por confrontos antes da trégua.

A nota lembra às partes envolvidas no conflito da sua obrigação de cumprir as regras fundamentais de distinção e da proporcionalidade, e “que tenham cuidado constante para poupar vidas e infraestrutura civis”.

Outro apelo feito aos envolvidos no conflito é que garantam que os pacientes, seus familiares e equipes médicas tenham passagem segura de e para o hospital em todos os momentos.

Pacote

Lowcock e Fore destacam que uma medida bem-vinda seria uma pausa duradoura como parte do pacote de cinco ações “essenciais para prevenir uma potencial catástrofe.”

Entre elas estão a proteção do fornecimento de alimentos e bens essenciais, o apoio à economia, o aumento do financiamento para a resposta e o envolvimento das partes com o enviado especial nos esforços para acabar com o conflito.

 

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