Combate à pobreza em Cabo Verde merece reconhecimento, diz especialista
BR

21 novembro 2018

Relator das Nações Unidas destaca redução observada nos últimos anos; desafios incluem falta de recursos naturais, dimensão da economia e dependência da ajuda ao desenvolvimento.

Um especialista das Nações Unidas disse que os esforços de combate à pobreza em Cabo Verde merecem reconhecimento.

Em nota, o relator especial* sobre o Direito ao Desenvolvimento, Saad Alfarargi, pediu mais ações para promover a participação para o avanço político, económico e social de mulheres, pessoas com deficiência e comunidades rurais.

Em 2007, Cabo Verde deixou de fazer parte da categoria de países menos desenvolvidos. Foto: ONU Cabo Verde.

Pobreza e Exclusão

Alfarargi terminou a visita de 10 dias ao país revelando “extrema preocupação” com a pobreza e a exclusão de vários grupos.

Segundo ele, “não só as taxas de desemprego das mulheres são mais elevadas do que as dos homens, mas elas trabalham mais frequentemente na economia informal, recebem menos do que os homens ou não recebem absolutamente nada”.

Mais de 60% da população de algumas comunidades rurais vivem abaixo do limiar da pobreza, destaca a nota.

Mais de 90% de pessoas com deficiência não têm trabalho nem cuidados de saúde suficientes. Entre as razões estão a falta de acesso às instalações, ausência de pessoal qualificado para satisfazer suas necessidades específicas ou falta de informação.

Remessas

Os desafios enfrentados pelo país incluem a “falta de recursos naturais tradicionais, a economia pequena e não diversificada, a dependência da Ajuda Pública ao Desenvolvimento e das remessas de migrantes”. O relator destacou, no entanto, que a pobreza tem diminuído nos últimos anos.

Em 2007, Cabo Verde deixou de fazer parte da categoria de países menos desenvolvidos. Para o especialista, a crise económica global de 2008 “provocou cortes drásticos no financiamento ao país, estagnando o desenvolvimento e as reformas”.

O apelo do relator é que as autoridades “continuem o diálogo com as comunidades deixadas para trás, para encontrar as melhores soluções para satisfazer suas necessidades”.

O especialista também pediu à comunidade internacional que preste maior assistência técnica e financeira ao país, de acordo com compromissos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

 

* Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pela sua atuação.

 

 

 

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