Sahel: subnutrição aguda em crianças atinge maior nível dos últimos 10 anos

16 novembro 2018

65% do orçamento do Unicef na região ainda está em falta;  subnutrição crónica atinge níveis de emergência devido a degradação das terras, secas periódicas, pobreza e crescimento da população.

No final de 2018, mais de 1,3 milhão de crianças menores de cinco anos com subnutrição severa na região do Sahel terão recebido ajuda humanitária, informou esta sexta-feira o Fundo da ONU para a Infância, Unicef.

Esse é o número mais alto em pelo menos uma década e um aumento de mais de 50% em relação ao ano passado. Esta ajuda foi prestada no Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia, Níger e Senegal.

Os países da região do Sahel são dos que mais sofrem com a seca, by Ocha/Otto Bakano

Ajuda

No início do ano, o Unicef, previu que até 1,6 milhão de crianças nestes seis países estariam em risco. Em resposta, a agência aumentou a sua resposta, com o apoio das Operações Europeias de Proteção Civil e outros parceiros.

A diretora-regional para a África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier, afirmou que "a subnutrição persegue de forma silenciosa as crianças em todo o Sahel e 2018 tem sido particularmente grave."

Segundo ela, durante o ano foi possivel “fornecer os alimentos e remédios que essas crianças precisam para sobreviver, mas são igualmente importantes investimentos em medidas preventivas e detecção precoce, para impedir que as crianças fiquem doentes em primeiro lugar.”

A especialista explicou que “essa foi a mudança implementada este ano” e que “produziu resultados encorajadores.”

Crise

A subnutrição crónica atinge níveis de emergência no Sahel devido a vários motivos, incluindo degradação das terras, secas periódicas, clima, pobreza, acesso limitado a serviços essenciais e crescimento populacional.

Todos os anos, muitas crianças sofrem subnutrição aguda severa, especialmente durante a época de baixa produção, quando a comida escasseia e há um aumento da malária e doenças como a diarreia.

O aumento deste ano deveu-se a chuvas insuficientes, preços elevados dos alimentos, conflitos armados e insegurança.

A diretora-regional do Unicef explicou que “quando as crianças sofrem de subnutrição aguda, são mais vulneráveis ​​a doenças como malária e doenças transmitidas pela água.”

Da mesma forma, se estão doentes, correm maior risco de ficarem subnutridas. É por isso, explicou Poirier, que “também é essencial prevenir a disseminação de doenças, aumentar o acesso a saneamento adequado e promover práticas ótimas de alimentação de bebés e crianças pequenas”.

Ação

Além de apoiar diretamente a população, o Unicef tem trabalhado com os governos locais para prevenir a subnutrição através da promoção de boas práticas de alimentação, uso de recursos locais, melhoria da saúde e outros serviços sociais.

Para ajudar a identificar rapidamente as crianças que precisam de ajuda, o Unicef ensina mães e cuidadores a rastrear os filhos em casa, faz o rastreamento preventivos da malária e promove ações políticas, como a inclusão do tratamento no sistema de saúde público nacional.

Apesar do número de criancas beneficiadas, o  Unicef ainda precisa angariar 65% do seu orçamento para esta região. 

 

 

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