Especial: ONU News acompanha a luta pela vida no maior hospital da Faixa de Gaza

13 novembro 2018

Coordenador Humanitário da ONU para os Territórios Palestinos, Jamie McGoldrick, visitou centro hospitalar; conheça* a rotina dos pacientes e médicos onde muitos dormem em corredores por falta de quartos.

À medida que aumenta o conflito entre as forças de Israel e milícias palestinas na Faixa de Gaza, muitos feridos e doentes continuam precisando urgentemente de ajuda no Hospital Al-Shifa.

Muitos profissionais do maior centro de saúde da região expressam frustração devido à falta de medicamentos e equipamento médico. Na última quarta-feira, o coordenador humanitário das Nações Unidas para os Territórios Palestinos, Jamie McGoldrick, visitou o hospital para avaliar a situação.

A ONU News* acompanhou o coordenador e conversou com os pacientes, bem como os médicos que trabalham para recuperar e salvar vidas em  condições que podem ser consideradas as mais exigentes.

Coordenador humanitário para os Territórios Palestinos, Jamie McGoldrick, by Unrwa/Khalil Adwan

Bloqueio

McGoldrick disse que “o setor de saúde em Gaza está sob severa escassez de financiamento há anos.”

Segundo ele, o bloqueio de Israel durante os últimos 12 anos impediu a entrada de mercadorias e isso resultou na falta de medicamentos essenciais.

O especialista afirmou que cerca de 20 mil palestinos foram feridos nos protestos deste ano, chamados de Marcha do Retorno. Muitas dessas vítimas foram atingidas abaixo do joelho. A falta de recursos e o aumento de feridos levou o hospital a adiar cerca de 8 mil operações para pacientes de câncer e com doenças do coração.

Protestos

Um paciente, Mahmoud, de 29 anos e dono de uma mercearia em Gaza, foi ferido quando participava nas manifestações.

O palestino diz que a sua “situação de saúde é muito difícil” e que, segundo os médicos, o seu tratamento vai demorar entre três e quatro anos.

Outro manifestante ferido durante o protesto, Hassan Hanneya, de 32 anos, tem esperança de que o bloqueio seja levantado para que as pessoas em Gaza possam viver vidas decentes.

Hassan disse que as balas o atingiram nas artérias, veias, nervos e ossos. Os médicos estão a tentar transferi-lo para um hospital fora de Gaza, mas ainda esperam pela autorização.

Médicos

Um dos médicos, Mahmoud Mattar, disse à ONU News que o pior sentimento para um médico é ser incapaz de tratar os seus pacientes. Ele acrescentou que, às vezes, deseja nunca ter escolhido a profissão.

O médico disse que “as capacidades básicas nos hospitais após 12 anos de bloqueio estão diminuindo”. Ele pediu à comunidade internacional para ajudar os hospitais em Gaza, fornecendo-lhes os medicamentos e itens médicos necessários.

O diretor do Hospital Al-Shifa, Medhat Abbas, disse que em 30 anos de trabalho nunca viu um hospital incapaz de alimentar os seus pacientes. Ele também lamentou que muitos pacientes durmam nos corredores do hospital porque não há quartos suficientes.

Autorizações

Um dos funcionários mais preocupados com a crise de saúde em Gaza é o representante da Organização Mundial da Saúde, OMS, em Gaza, Mahmoud Dhaher.

Na Faixa de Gaza, a taxa de mortalidade infantil subiu pela primeira vez em 50 anos, by Unicef/Loulou d’Aki

Segundo ele, mais de metade dos casos que precisam ser transferidos não recebem as autorizações necessárias das autoridades de Israel. Todos os anos, mais de 24 mil pessoas pedem estas licenças.

A maioria dos casos aceites seguem para hospitais de Jerusalém, ou da Jordânia e do Egito. Mas o coordenador humanitário, Jamie McGoldrick, disse que na maior parte das vezes as pessoas têm como única alternativa o tratamento dentro do território.

Para ele, a única solução é política. Mas até esse momento chegar, o coordenador pede à comunidade internacional que aumente o seu apoio aos serviços essenciais em Gaza.

 

*Com reportagem da enviada especial da ONU News a Gaza, Reem Abaza.

 

 

 

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