ONU preocupada com a piora da situação no Iêmen

9 novembro 2018

Agência das Nações Unidas tem planos de atingir até 14 milhões de pessoas por mês para evitar a fome em massa; na cidade portuária de Hodeida, pelo menos 94 pessoas morreram e 95 foram feridas desde outubro.

Agências das Nações Unidas voltaram a pedir esta sexta-feira um acesso urgente e sem impedimentos de ajuda humanitária para salvar milhões de pessoas no Iêmen.

Em nota, lançada em genebra, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, chamou a atenção para pessoas isoladas na cidade de Hodeida.

Intensos combates dentro e nos arredores da cidade portuária de Hodeida atrasaram a entrega de carregamentos humanitários e comerciais. , by Unicef/Ahmed Abdulhaleem

Movimento

Em número difícil de avaliar, a preocupação é que as pessoas precisam fugir para locais seguros e não podem fazê-lo devido às operações militares que limitam cada vez mais o movimento e cortam as rotas de saída.

Pelo menos 94 pessoas morreram e 95 foram feridas desde outubro. Mais de 600 mil iemenitas fugiram desde junho. Confrontos violentos e ataques aéreos destruíram infraestrutura civil, incluindo centros de saúde e casas.

Fome

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, pediu o fim da violência em todo o país para “dar oportunidade ao país para sair da beira do abismo”.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz Herve Verohoosel disse que “se isso não acontecer, o Iêmen se tornará um país de fantasmas vivos e seu povo reduzido a sacos de ossos”.

Ele afirmou que agências humanitárias não poderão fazer muito para apoiar por causa dos “bombardeios implacáveis e das táticas de guerra que não poupam ninguém”.

A agência tem planos de atingir até 14 milhões de pessoas por mês para evitar a fome em massa. Neste momento, quase 8 milhões de pessoas são apoiadas durante o período.

O PMA quer um “acesso imediato seguro e irrestrito às principais instalações de moagem do mar Vermelho”, que estão bloqueadas pelos combates e pela presença de elementos armados.

Ajuda humanitária

Atualmente falta acesso a uma reserva de 51 mil toneladas de trigo, que segundo a agência é suficiente para ajudar 3,7 milhões de iemenitas durante um mês.

Intensos combates dentro e nos arredores da cidade portuária de Hodeida atrasaram a entrega de carregamentos humanitários e comerciais. O resultado foi o aumento do preço dos alimentos para níveis incomportáveis para muitas pessoas na área carente de outros artigos essenciais para salvar a população.

A agência quer medidas de emergência para a estabilização da moeda, que serão tomadas pelo Banco Central do Iêmen em parceria com instituições financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional, FMI.

Outro pedido é que os salários de funcionários públicos sejam liberados para que comecem a ser restaurados os meios de subsistência. 

 

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