Perspectiva Global Reportagens Humanas

Não importa o sotaque dominante, mas sim projetar a língua portuguesa em sua diversidade, diz Mia Couto

O escritor moçambicano Mia Couto fala ao microfone enquanto gesticula com a mão.
Ouri Pota O autor moçambicano Mia Couto disse que há muito a fazer para que o mundo seja mais aberto para a língua portuguesa

Não importa o sotaque dominante, mas sim projetar a língua portuguesa em sua diversidade, diz Mia Couto

Cultura e educação

Escritor declarou que há muito a fazer para que idioma “seja mais aberto para o mundo e o mundo seja mais aberto para a língua portuguesa”; mais de 260 milhões de pessoas se expressam em português em todo o planeta.*

Na semana do lançamento de mais uma obra, o autor moçambicano Mia Couto disse à ONU News que é importante que as nações de língua portuguesa unam forças, sigam além da formalidade e promovam o idioma.

O novo livro  A Água e a Águia foi apresentado em Maputo após ser lançado em Portugal. O Prémio Camões de Literatura em 2013, com sua produção literária amplamente divulgada no Brasil, diz que todos os países de língua portuguesa têm um desafio comum.

O autor moçambicano Mia Couto segura o seu livro 'A Águia e a Água' em frente a uma estante.
Novo livro de Mia Couto, "Água e a Águia", foi apresentado em Maputo após ser lançado em Portugal, by Foto: Emídio Josine

Acordo Ortográfico

“Acho que estamos muito centrados para as coisas do nosso próprio umbigo. Estamos muito virados para nós. Por exemplo, o esforço e o tempo que gastamos por causa do famoso acordo ortográfico. Talvez essa discussão pudesse ser mais produtiva, como apoiar para que o português seja uma língua mais aberta para o mundo e que o mundo esteja aberto para a língua portuguesa, sem nos importarmos muito que o sotaque dominante seja o brasileiro, ou seja o português de Portugal ou seja qualquer outro. O que interessa é que seja a nossa língua portuguesa na sua diversidade, não é?”

Para Mia Couto, as nações onde o português é língua oficial têm como “grande luta” levar o idioma além de fóruns internacionais para que seja respeitado no mundo inteiro. O português tem atualmente mais de 260 milhões de falantes.

Política Agressiva

“Acho que estamos numa paróquia, acho que temos um sentimento de aldeia. Quando o mundo sabe que o português existe, sabemos que estamos muito satisfeitos. Mas qual é a política agressiva que nós temos para nos projetarmos para o mundo? Ah, há muito pouco que se faz.”

Mia Couto defende que a língua portuguesa deve avançar “a uma só voz” para uma presença “fora de reuniões formais de governos”.

O autor também acredita que deve ser repensado o ensino do português como segunda língua, onde maisidiomas locais sejam falados, como em Moçambique.

Na conversa com a ONU News, o autor disse que deve ser inovada a educação básica para que sejam alcançados maiores avanços nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, adotados nas Nações Unidas.

*Com reportagem de Ouri Pota, de Maputo para a ONU News.