Não importa o sotaque dominante, mas sim projetar a língua portuguesa em sua diversidade, diz Mia Couto

8 novembro 2018

Escritor declarou que há muito a fazer para que idioma “seja mais aberto para o mundo e o mundo seja mais aberto para a língua portuguesa”; mais de 260 milhões de pessoas se expressam em português em todo o planeta.*

Na semana do lançamento de mais uma obra, o autor moçambicano Mia Couto disse à ONU News que é importante que as nações de língua portuguesa unam forças, sigam além da formalidade e promovam o idioma.

O novo livro  A Água e a Águia foi apresentado em Maputo após ser lançado em Portugal. O Prémio Camões de Literatura em 2013, com sua produção literária amplamente divulgada no Brasil, diz que todos os países de língua portuguesa têm um desafio comum.

Novo livro de Mia Couto, "Água e a Águia", foi apresentado em Maputo após ser lançado em Portugal, by Foto: Emídio Josine

Acordo Ortográfico

“Acho que estamos muito centrados para as coisas do nosso próprio umbigo. Estamos muito virados para nós. Por exemplo, o esforço e o tempo que gastamos por causa do famoso acordo ortográfico. Talvez essa discussão pudesse ser mais produtiva, como apoiar para que o português seja uma língua mais aberta para o mundo e que o mundo esteja aberto para a língua portuguesa, sem nos importarmos muito que o sotaque dominante seja o brasileiro, ou seja o português de Portugal ou seja qualquer outro. O que interessa é que seja a nossa língua portuguesa na sua diversidade, não é?”

Para Mia Couto, as nações onde o português é língua oficial têm como “grande luta” levar o idioma além de fóruns internacionais para que seja respeitado no mundo inteiro. O português tem atualmente mais de 260 milhões de falantes.

Política Agressiva

“Acho que estamos numa paróquia, acho que temos um sentimento de aldeia. Quando o mundo sabe que o português existe, sabemos que estamos muito satisfeitos. Mas qual é a política agressiva que nós temos para nos projetarmos para o mundo? Ah, há muito pouco que se faz.”

Mia Couto defende que a língua portuguesa deve avançar “a uma só voz” para uma presença “fora de reuniões formais de governos”.

O autor também acredita que deve ser repensado o ensino do português como segunda língua, onde maisidiomas locais sejam falados, como em Moçambique.

Na conversa com a ONU News, o autor disse que deve ser inovada a educação básica para que sejam alcançados maiores avanços nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, adotados nas Nações Unidas.

*Com reportagem de Ouri Pota, de Maputo para a ONU News.

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