As razões para proteger o meio ambiente dos efeitos de guerras e conflitos armados
BR

6 novembro 2018

Dia Internacional para Prevenção da Exploração do Meio Ambiente durante Guerra e Conflito chama atenção para a “vítima não divulgada da guerra”.

Este 6 de novembro é o Dia Internacional para Prevenção da Exploração do Meio Ambiente durante Guerra e Conflito. Os danos causados por essas ações são normalmente contabilizados em termos do número de mortos, soldados e civis feridos ou cidades e sociedades destruídas.

ONU: fontes de água são poluídas, plantações incendiadas, florestas derrubadas, terras envenenadas e animais mortos como forma de se ganhar vantagem militar. , by Foto: Unamid/Albert Gonzalez Farran

Neste cenário, as Nações Unidas destacam que com frequência o meio ambiente se torna a “vítima não divulgada da guerra”. Fontes de água são poluídas, plantações incendiadas, florestas derrubadas, terras envenenadas e animais mortos como forma de se ganhar vantagem militar. 

De acordo com a ONU Meio Ambiente, nos últimos 60 anos, pelo menos 40% de todos os conflitos internos tiveram relação com a exploração de recursos naturais de alto valor, como diamantes, ouro e petróleo, ou de recursos escassos, como terras férteis e água.

Mensagem

Em mensagem divulgada para destacar o tema, o diretor executivo da agência, Erik Solheim, lembra que “1,5 bilhão de pessoas, mais de 20% da população mundial, vive em áreas afetadas por conflitos e Estados frágeis.”

Para o representante, “guerras e conflitos armados apresentam um risco para a humanidade e outras formas de vida no nosso planeta e muitas vidas e espécies estão em jogo.”

O diretor executivo da ONU Meio Ambiente citou como exemplo os locais ricos em biodiversidade que serviram como refúgio para grupos rebeldes da Colômbia, da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul. Solheim disse que isso foi “desastroso para os animais selvagens e para a conservação das florestas destas regiões, abrindo espaço para a extração ilegal de madeira, garimpo irregular, caça em larga escala e criadouros para espécies invasoras.”

Para a ONU, seria um “erro perigoso ignorar estas consequências dos conflitos para o meio ambiente, e a comunidade internacional precisa agir com a maior urgência.” Solheim destaca ainda que como parte da implementação da Agenda 2030 de Desenvolviumento Sustentável é preciso integrar questões de recursos naturais e do meio ambiente nas avaliações de conflitos e planejamentos.

Histórias

Para marcar o 17º aniversário da criação do Dia Internacional para Prevenção da Exploração do Meio Ambiente durante Guerra e Conflito, a ONU Meio Ambiente relembrou algumas histórias que mostram por que é preciso proteger a biodiversidade dos efeitos direitos e indiretos das guerras e conflitos armados.

2012 © Anssi Kullberg
Décadas de conflito destruíram mais da metade das florestas do Afeganistão

 

  1. Agente Laranja: Por quase uma década, entre 1961 e 1971, durante a guerra do Vietnã, o exército dos Estados Unidos espalhou milhões de litros de uma variedade de herbicidas e desfolhantes em vastas áreas no sul do país asiático. O produto químico mais difundido foi o Agente Laranja, que fazia parte de uma destruição deliberada de florestas para privar os guerrilheiros vietnamitas da proteção que elas ofereciam, permitindo o lançamento de ataques contra as forças dos EUA.
  2. Guerras civis congolesas: Desde a metade da década de 1990, uma série de conflitos armados sangrentos na República Democrática do Congo teve um efeito arrasador nas populações de animais silvestres. Estas se tornaram fonte de carne silvestre para combatentes, civis lutando pela sobrevivência e comerciantes. Como resultado disso, espécies pequenas, como antílopes, macacos e roedores, assim como espécies maiores, como elefantes tiveram que suportar o peso da guerra. Embora estes conflitos tenham inúmeras causas profundas como fatores históricos, étnicos e políticos, a luta pelo controle, o acesso e o uso dos recursos naturais têm sido fatores-chaves  para a violência. Os conflitos e a ilegalidade causada por eles também estimulam o desmatamento e processos nocivos de mineração.
  3. Pântanos e poços de petróleo em chamas no Iraque: No início dos anos 90, as tropas do antigo presidente iraniano Saddam Hussein drenaram os pântanos da Mesopotâmia, o maior ecossistema de terras úmidas no Oriente Médio, localizado entre os rios Tigre e Eufrates. A ação foi feita em resposta a uma revolta xiita no sul do Iraque.  Uma série de diques e canais reduziram os pântanos a menos de 10% de sua extensão original e transformaram a paisagem num deserto com crostas de sal. Mais recentemente, em 2017, membros do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, incendiaram poços de petróleo na cidade de Mosul, no sul do país, liberando um coquetel tóxico de produtos químicos no ar, na água e na terra.
2001/2002 © ONU Meio Ambiente
Expectativa é que até 2040 os países produzam entre 40% e 50% a mais de petróleo e gás.

 

 

 

4. Florestas do Afeganistão: Décadas de conflito destruíram mais da metade das florestas do Afeganistão. Em algumas regiões, até 95% das florestas foram derrubadas. Entre as razões estão estratégias de enfrentamento das pessoas e a ruptura da governança ambiental durante décadas de guerra. O extenso desmatamento gerou múltiplas implicações sociais, ambientais e econômicas para milhões de afegãos, incluindo o aumento da vulnerabilidade a vários desastres naturais, como enchentes, avalanches e deslizamentos de terra.\

5. Ecossistema do Nepal:  Durante o conflito armado que aconteceu entre 1996 e 2006, o exército, que antes era responsável pela proteção das florestas, foi mobilizado para operações contra a insurgência. Isso gerou uma exploração irresponsável da vida selvagem e de recursos como ervas medicinais pelos rebeldes e civis em áreas como o Parque Nacional Khapdad.

6. Mineração e exploração madeireira na Colômbia: Décadas de garimpo de ouro não regulamentado no país causaram danos ambientais em áreas controladas pelos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc. A mineração, associada à extração ilegal de outros recursos naturais como a exploração madeireira, foi uma das principais fontes de financiamento para os rebeldes. O processo resultou na poluição de rios e terras com mercúrio, especialmente na bacia do rio Quito.

 

 

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