Mia Couto e ODSs: “O mundo está a mudar tão rapidamente que é preciso repensar o projeto da nossa escola”
BR

6 novembro 2018

Ganhador do Prêmio Camões 2013 defende que educação deve ter prioridade nas metas globais; nova obra, A Águia e a Água traduz desejo do autor de um ensino básico  que inspira e prepara o aluno.*

O escritor moçambicano Mia Couto junta sua voz à de líderes de várias áreas nos esforços globais para o sucesso da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. Para o também poeta e jornalista, a educação deve ter prioridade.

O autor disse à ONU News, de Maputo, que é preciso ir além do modelo padrão do ensino. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, ODS, número 4 é garantir uma educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem para todos.

Cidadania Ativa

“As pessoas não precisam saber contar, escrever e conhecer o mundo do meu ponto de vista científico. Eu acho que o mundo está a mudar tão rapidamente que é preciso repensar a escola, de maneira que a escola corresponda aos desafios que hoje se colocam. Para hoje, é preciso que as pessoas que rapidamente estão a vir para a cidade precisam, e não ganhar espontaneamente, de ter urbanidade e de civismo que poderiam aprender na escola, por exemplo. Enfim, há um valor que se tem que dar às questões de gênero, do ambiente e de uma cidadania ativa.”

Mia Couto ganhou o Prêmio Camões 2013, o mais importante de língua portuguesa. Ele teve ainda o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura em  2014, uma espécie de Prêmio Nobel na literatura americana.

Obra Literária

Esta terça-feira, o autor moçambicano lança uma nova obra literária. Mia Couto conta como seu novo título “A Águia e a Água” traduz seu desejo de uma educação que inspire e prepare o aluno.

 

“Queria que as crianças percebam o que encontram na própria linguagem. Eu queria que elas começassem a usar as palavras e as letras como uma brincadeira, como fonte de gozo e de prazer. Acho que aqui as crianças estão moldadas para aquilo que é uma coisa séria da escola, que é mais severa. A gramática devia ser uma coisa que nós temos para nos divertirmos. Também devia ter esse papel sedutor.”

Em Moçambique, cerca de 45% das pessoas não pode ler nem escrever.

Segundo as Nações Unidas, o  mundo tem mais de 265 milhões de crianças fora da escola, sendo que um quinto delas está em idade escolar primária.

Os desafios para uma educação de qualidade incluem a falta de professores com formação adequada, as condições precárias das escolas e questões de equidade no acesso a oportunidades das crianças rurais.

*Com reportagem de Ouri Pota, de Maputo para a ONU News.

 

 

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