Relatório da ONU mostra recuperação da camada de ozono

5 novembro 2018

Ações tomadas pelos países no âmbito do Protocolo de Montreal começam a surtir efeitos; segundo avaliação de agências da ONU, camada recupera a uma taxa de 1% a 3% por década desde 2000; ozono deve “cicatrizar” até 2030 no hemisfério norte.

O Painel de Avaliação Científica do Protocolo de Montreal indica que ações tomadas no âmbito daquele compromisso internacional ajudaram a reduzir a longo prazo as substâncias que destroem a camada de ozono.

A avaliação de 2018 envolve especialistas mundiais em ciências atmosféricas em coordenação com a Organização Meteorológica Mundial,OMM, e a Agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente.

Conclusões

Avaliação mostra recuperação da camada de ozono, em partes da estratosfera, a uma taxa de 1-3% por década desde 2000, by Foto ONU Meio Ambiente

Os autores desta avaliação concluem que houve uma recuperação da camada de ozono, em partes da estratosfera, a uma taxa de 13%  a 3%  por década desde 2000.

De acordo com eles, o Hemisfério Norte e o ozono de latitude média devem cicatrizar completamente até 2030. Tal deverá acontecer até à década de 2050 no hemisfério sul e até 2060 nas regiões polares.

A camada de ozono protege a vida na Terra dos níveis prejudiciais de raios ultravioletas do sol.

Resultados

Para o chefe da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, estes resultados demonstram “o sucesso inspirador deste tratado ambiental que entra agora na sua quarta década. O relatório também oferece uma visão do papel que o Protocolo deve ter nas próximas décadas.”

Ele considera que “o Protocolo de Montreal é um dos acordos multilaterais mais bem-sucedidos da história” e destaca a emenda Kigali, que deverá entrar em vigor em janeiro próximo.

A emenda Kigali pede que se reduza o uso futuro gases em refrigeradores, ares condicionados e produtos relacionados. Segundo a ONU Meio Ambiente, as nações que ratificaram a emenda Kigali comprometem-se a reduzir em mais de 80% a produção e consumo destes gases, conhecidos como hidrofluorcarbonetos, HFCs.

O relatório diz ainda que poderá ser evitado 0,5 °C de aquecimento global neste século através da implementação da emenda Kigali, afirmando seu papel crítico em manter o aumento da temperatura global abaixo da marca dos 2 ° C.

Para o copresidente do Painel de Avaliação Científica do Protocolo de Montreal, David Fahey,  estes novos resultados “destacam a importância de um monitoramento contínuo de longo prazo dos HFCs na atmosfera, à medida que a Emenda Kigali se começa a consolidar."

Se isso acontecer, será possível “reduzir o aquecimento global futuro se houver uma diminuição de HFCs em cerca de 50% entre hoje e 2050.”

A nona da série de avaliações principais que foram preparadas pelo Painel de Avaliação Científica visa contribuir diretamente para o processo do Protocolo de Montreal.

O Protocolo

O Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozono é um tratado internacional para proteger a camada de ozono eliminando gradualmente a produção de numerosas substâncias responsáveis pela sua destruição.

O Protocolo foi acordado em 1987, entrando em vigor em 1989. Desde então, houve nove avaliações da implementação deste tratado.

Como resultado do acordo internacional, o buraco na camada de ozono na Antártida  recupera lentamente.

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Comissão da ONU estuda questões legais sobre aumento do nível do mar

Mudança climática levanta problemas jurídicos com que a comunidade internacional nunca teve de lidar; portuguesa que integra Comissão de Direito Internacional da ONU explica o trabalho sendo feito para preparar o futuro.

250 organizações assinam compromisso para eliminar a poluição por plásticos

Objetivo do Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico quer lidar com origem do problema; ONU Meio Ambiente revela que signatários incluem empresas representando 20% das embalagens plásticas produzidas no planeta.