Destaque ONU News Especial - 31 de outubro de 2018

31 outubro 2018

Conselho de Segurança decide se prolonga o mandato da Missão da ONU na República Centro Africana, Minusca, na primeira semana de novembro; ONU News conversou com o vice-comandante da força militar na operação de paz, o português Marco António Serronha.

Criada em 2014, a Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, tem perto de 15 mil soldados da paz e funcionários. Neste momento, existem cerca de 160 militares portugueses e observadores brasileiros.

Soldados de paz da Minusca, by ONU/Catianne Tijerina

Mais de quatro anos depois do início do conflito, 2,5 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no país. Os combates obrigaram mais de 1 milhão de pessoas a abandonar as suas casas e 60% da população vive em pobreza extrema. O secretário-geral, António Guterres, recomendou a renovação do mandato da missão da ONU.

A ONU News* conversou com o vice-comandante da força militar na operação de paz, o português Marco António Serronha. Nesta entrevista, em Bangui, o oficial faz um balanço da missão, explica os desafios e informa sobre as mudanças que devem acontecer.

ONU News (ON): Como é a situação da força portuguesa na Minusca? 

Marco António Serronha (MAS): A Força de Reação Rápida Portuguesa, a nossa PRF, que chegou em 2017, está neste momento aqui e vai fazer dois anos. Este é o nosso quarto contingente. É uma força com características, que eu falei, da capacidade que a Minusca tem que ter da nossa capacidade rápida e oportuna em zonas críticas. Está a ser estacionada em Bangui. É uma força à disposição do comandante da força para ser empregue em zonas críticas. É isso que tem sido feito. Neste momento, está em Bambari.

Patrulha de militares portugueses na missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, by Minusca

ON: Qual é a situação de segurança nas diferentes zonas do país? 

MAS: Em termos globais de segurança, podemos dizer que a situação de segurança está relativamente estável em todo o território, inclusivamente em Bangui. Temos, no entanto, algumas situações específicas em algumas áreas onde a situação de segurança será mais vulnerável em termos do que é a tarefa principal da força militar da Minusca que é, de algum modo, garantir a defesa e a segurança dos civis entre outras tarefas que o mandato tem. A nossa principal tarefa é, de facto, assegurar a proteção de civis.

No setor centro, temos algumas zonas críticas. Em especial, uma região que chamamos o principal hotspot da República Centro-Africana que é Bambari. É uma cidade no centro da República Centro-Africana, onde existe a presença de grupos armados no interior da própria cidade. Nós tentamos combater na periferia e grupos armados que estão ligados por um lado, e por outro lado as fações ex-Seleka e também a presença de anti-Balakas. Esta presença destas duas correntes na mesma região tem criado algum tipo de situações, que podemos dizer de tensão e mesmo de combales entre eles. Podemos dizer que têm afetado algumas zonas. Bambari é uma delas, onde no futuro a situação da população aí pode afetar a vida de populações.

A sul, temos um problema complicado na região de Bangassou, em Teobo. É uma faixa sul da fronteira com a República Democráticas do Congo. Temos pessoas refugiadas no Congo que estão tentando regressar às suas zonas de origem, o que traz às vezes problemas de segurança acrescidos. Temos refugiados internos, posso assim dizer, que estão a tentar voltar às suas zonas de origem. É evidente que aqui temos tido alguns problemas com o regresso, nomeadamente de populações muçulmanas, que estão de regresso às suas zonas e que estão, de algum modo, a ser perturbadas por algumas fações anti-Balaka que estão a tentar perturbar-lhes a vida.

Patrulha da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, na capital do país, Bangui. Foto: ONU/Catianne Tijerina
Patrulha da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, na capital do país, Bangui, by ONU/Catianne​

Em termos globais a situação de segurança está calma. Existe alguma tensão, mas a Minusca está a fazer tudo, em especial nos sítios mais complicados, com sua presença militar para evitar alteração do ritmo de vida das populações que tanto tem sofrido com os conflitos armados que tem acontecido na região. E simultâneo, a componente militar da Minusca está muito ligada ao diálogo político que tem, que ocorre a outros níveis, e que a própria liderança da Minusca na sua componente civil e política está a conduzir com as atividades do governo e com a comunidade internacional, nomeadamente com a união Africana. E, portanto, toda a manobra militar da Minusca e policial segue de algum modo aquilo que e estratégia política, ao diálogo político e para obtenção de uma situação de paz que traga estabilidade para o futuro.

ON: Quais são os desafios e que mudanças estão sendo preparadas?

MAS: Os maiores desafios que se põe a Minusca no futuro são essencialmente, vai haver uma renovação no mandato da Minusca. A Minusca conduziu uma revisão por assim dizer daquilo que foi o seu mandato durante o último ano, está a conduzir. Feito não só aqui pela Forca e pela missão aqui na República Centro-Africana, mas em estreita colaboração com quartel-general da ONU em Nova Iorque.

Enfim, mantendo no modo geral no quadro do mandato e mantendo iniciativas da componente militar das Forças que aqui tem, que são cerca de 11.600 militares, tentar modificar o seu perfil de atuação no sentido de conseguir libertar, por assim dizer, algumas tarefas estáticas que tem. A Minusca tem muitas bases espalhadas por todo o território, bases de forma permanente. E muitíssimas bases temporárias que foram montando ao longo de sua manobra, no sentido de estar mais presente junto das populações.

Portugal integra as tropas de paz que atuam em território centro-africano desde o início de 2017, by Minusca/Hervé Serefio

Portanto, o perfil de atuação da Minusca vai, vamos tentar altera-lo. Isso vai ser manifestado na renovação do contrato que vai acontecer em novembro, pelo Conselho de Segurança de em Nova Iorque no sentido de termos menos bases e termos maior capacidade de projeção de Forças para áreas críticas. Isto tem a vantagem de não precisarmos ter guardas, que as Forças Militares têm em seus próprios campos.

Portanto, ter menos tempo nisso e mais tempo diverso para operação de intervenções rápidas em sítios onde possam acontecer problemas que ponham em causa vidas e o bem estar das populações e fazer a proteção dos civis que é a nossa grande missão.

 

*Entrevista de Vladimir Monteiro, da Minusca. 

 

 

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