Especial: Outubro Rosa, o mês da campanha de prevenção do câncer de mama
BR

30 outubro 2018

Tipo de câncer é o segundo mais comum no mundo, com mais de 2 milhões de casos em 2018; mais de 600 mil pessoas morreram com este tipo de câncer no mundo este ano.

Esta quarta-feira, encerra o 10º mês do ano e com ele uma campanha que envolve o mundo na prevenção do câncer de mama. Para marcar o fim do Outubro Rosa, a ONU News apresenta histórias de esperança e luta contra a doença que este ano tirou a vida de mais de 600 mil pessoas. Especialistas dizem que a prevenção faz toda a diferença.

“Meu nome é Cristianne Kiffer, eu tenho 46 anos e a um ano e meio atrás, em janeiro de 2017, eu descobri um tumor maligno aqui no meu seio direito.”

A jornalista brasileira Cristiane é moradora do Rio de Janeiro e mãe de Laura, de 11 anos.  Ela está entre os mais de 2 milhões de casos de câncer de mama diagnosticados no mundo.

 

Outra história de superação da doença é de Sheila Prado de 46 anos. Ela é gerente de tecnologia da Fundação do Câncer e conta o que viveu.

“Além de ter vivenciado experiências com outras pessoas, com entes queridos, em 2013 eu fui diagnosticada com um câncer de mama.”

Tanto Cristiane quanto Sheila descobriram nódulos nos seios durante o banho. Depois de passarem por tratamentos, elas venceram a batalha contra a doença.

Outubro Rosa

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e a Organização Mundial da Saúde, OMS, o câncer é uma das maiores causas de morte no mundo. Na região das Américas, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e a segunda causa de morte relacionada à doença que também pode afetar os homens.

É para chamar atenção para a necessidade de prevenção que anualmente, a campanha Outubro Rosa acontece pelo mundo.

Falando à ONU News de Brasília, a coordenadora de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental do Escritório da Opas e OMS no Brasil, Katia de Pinho Campos, disse que quando o câncer de mama é detectado na fase inicial tem maiores chances de cura.

“O câncer de mama tem um impacto muito importante na vida pessoal da mulher, na vida social dela e na economia de um país, pelo custo devastador que isso pode causar ao longo deste processo de tratamento e eventualmente de óbito da pessoa que apresenta essa doença. Então, é importante a gente ter esta mobilização, para a prevenção e o controle, e também para eliminar este estigma que existe com relação ao câncer.”

Aumento nos Casos

O Opas e a OMS estimam que, todos os anos, 462 mil novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados na Américas. Se as atuais tendências continuarem, a expectativa é de que até 2030, os casos da doença aumentem em até 34% na região.

De acordo com as agências da ONU, muitos países da América Latina e Caribe, por exemplo, têm altos índices de risco de morte por câncer de mama. Esta situação destaca as desigualdades em termos de saúde na região.

Especialistas indicam que alimentação e hábitos saudáveis podem ajudar na prevenção primária do câncer de mama e outras doenças , by Foto: FAO/Alessia Pierdomenico

Para Katia de Pinho Campos, dois fatores influenciam no aumento da identificação de casos.

“Primeiro, que a gente está melhorando o nosso sistema de diagnóstico. Mais mulheres estão recorrendo aos serviços de saúde e fazendo seu diagnóstico precoce e isso obviamente tende a aumentar a prevalência do que era no passado. Mas também existem as evidências científicas que estão evoluindo cada vez mais e trazendo resultados um pouco mais conclusivos neste sentido, que existem certas coisas que hoje, a gente sabe que podem causar também este aumento do câncer de mama, como é por exemplo a obesidade, uma alimentação que não seja saudável e outros.”

Fatores de Risco  

Em entrevista à ONU News, do Rio de Janeiro, o mastologista do Hospital Fundação do Câncer, Marcelo Lelis, também chamou atenção para estes fatores de risco e a chamada prevenção primária.

“É quando a mulher tem que ser orientada a ter hábitos saudáveis, exercícios regulares, alimentação saudável, evitar fumo, evitar bebidas alcoólicas e principalmente, evitar ao máximo, a possibilidade de obesidade. Porque? Nós sabemos que nessa prevenção primária, que é quando nós não temos a manifestação da doença, é possível evitar que a mulher chegue a desenvolver a doença. A gente consegue com esta mudança de hábitos diminua em até 30% a chance de ter um câncer de mama.”

Dr. Marcelo Lelis - mastologista do Hospital Fundação do Câncer, by Hospital Fundação do Câncer

Prevenção

O doutor Marcelo Lelis explicou ainda que a prevenção e o diagnóstico precoce a doença fazem toda a diferença.  

“Quanto maior o tumor, mais difícil é o tratamento, mais oneroso é o tratamento e mais prolongado é o tratamento. Porque com tumores menores, eu consigo fazer cirurgias mais econômicas, evitar a quimioterapia, fazer menos sessões de radioterapia e também trazer esta mulher de volta para as atividades muito mais rápido do que acontece nos tumores mais avançados, onde muitas vezes quando se faz a descoberta, com tumores em estágio 4, com doenças metastática, onde em muitos casos não é uma doença curável, e sim controlável com medicamentos e quimioterapia.”

Autoexame

Neste sentido, Kátia de Pinho Campos do Opas e da OMS, falou sobre a importância das mulheres se auto examinarem.

“Existem sintomas que são importantes que a mulher tem que acompanhar, ela mesmo, pessoalmente no seu corpo. Identificar nódulos por exemplo. Estes nódulos normalmente não causam dor, mas eles estão presentes. Então, a mulher tem que se tocar, ela tem que se reconhecer. Existem diferenças na cor, na textura da pele da mama, que também podem ser indícios de câncer. São sintomas que ela precisa reconhecer e se identificar, consultar o seu centro de saúde, médico ou hospital.”

O Mundo Não Acabou

Sheila Prado, descobriu o câncer de mama quando tinha 40 anos. O tumor estava com 12 centímetros e ela teve que fazer 14 sessões de quimioterapia antes de fazer a mastectomia. Após a operação, ela ainda fez 25 sessões de radioterapia e, agora curada, fará um acompanhamento durante cinco anos.

Falando à ONU News, ela contou que da época do tratamento guarda uma mensagem de seu médico.

“O mundo não acabou para você, os planos mudam, mas o mundo não acabou. Ou seja, é uma luta, nós sabemos, mas nós podemos, nós aqui sabemos que existem tratamento, que existe a cura, nós acreditamos. Eu posso, e nós podemos.”

A Cura vem de Dentro

Cristianne Kiffer descobriu o tumor quando ainda estava pequeno e por isso não precisou retirar os seios. Ela passou por oito sessões de quimioterapia e dois meses de radioterapia. Perdeu os cabelos, mas nunca deixou de acreditar que ficaria bem.

“Passei por isso tudo, numa boa, com tranquilidade, confiança pelos médicos que me atenderam, pelo sistema único de saúde do Brasil que é público, que é gratuito, e estou recuperada. Eu procurei sempre viver a vida, e é claro, nos dias seguintes da quimioterapia, tive muito enjoo, mas fora isso, não tive grandes preocupações. Passei a me alimentar melhor, tomar chá verde, comer mais brócolis e viver a vida. Curti, dancei, e agora estou aqui curada. São 10 anos agora só de comprimidos, e vai dar tudo certo. Se você tiver passando por isso, fé na caminhada, muita luz, e você vai ficar bem no final. Acredita nisso. Isso vem de dentro, a cura.”

 

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