Participação de mulheres aumenta durabilidade de acordos de paz

28 outubro 2018

Estudo apresentado em Nova Iorque foi apoiado pela ONU Mulheres; relatório recolheu informação de mais de 40 países; documento foi apresentado esta semana em Nova Iorque.

A participação de mulheres em acordos de paz aumenta em mais de um terço a probabilidade de durarem mais de dois anos, segundo um novo relatório da Rede Global de Mulheres Construtoras da Paz apoiado pela ONU Mulheres.

A coordenadora de programas da rede, com sede em Nova Iorque, Agnieszka Fal-Dutra Santos, explicou à ONU News a principal conclusão do relatório.

Coordenadora de Programas da Rede Global de Mulheres Construtoras da Paz, Agnieszka Fal-Dutra Santos.
Coordenadora de Programas da Rede Global de Mulheres Construtoras da Paz, Agnieszka Fal-Dutra Santos, by ONU News

“As pesquisas mostram que quando as mulheres participam nas negociações os acordos de paz, estes são 35% mais prováveis de durar mais do que dois anos. A durabilidade da paz aumenta quando as mulheres participam. A nossa pesquisa mostrou que as mulheres também levam a paz as populações locais e elas garantem que a paz existe para todos, para a sociedade inteira, e não apenas para as pessoas do mundo capital.”

Relatório

A pesquisa foi divulgada numa série de eventos ocorridos durante esta semana. A apresentação do estudo contou com a presença de representantes do Sudão do Sul, da Síria, do Canadá, do México e das Filipinas.

As conclusões têm base em mais de mil inquéritos de mulheres de cerca de 40 países, como Ucrânia, Paquistão e República Democrática do Congo. Também foram realizadas 40 discussões em grupo em 15 países.

Para Agnieszka Fal-Dutra Santos, uma das grandes conclusões é que manter a paz é um trabalho muito mais complexo do que terminar com os conflitos.

“Uma coisa que é muito, muito clara é que sustentar a paz não significa só acabar com a guerra. Significa também promover os direitos humanos, promover o desenvolvimento econômico, promover os direitos das mulheres. Então, trabalhamos com as mulheres sobre todas estas coisas, e para aumentar também o apoio dos governos para todas estas problemáticas.”

Sugestões

Além de uma avaliação da situação, o relatório também inclui uma série de sugestões. A coordenadora explicou algumas medidas propostas.

“Tornar disponível mais fundos para as organizações das mulheres e fundos de longo prazo, porque a paz é um trabalho de longo prazo. Não podemos perceber a paz como um projeto e dar os fundos apenas para um ano, dois anos ou mesmo cinco anos. Isso tem de estar sustentado. Para os países que apoiam os processos de paz, por exemplo na Síria, no Sudão do Sul, devem exigir a participação as mulheres e dizer que não vão começar as negociações, não vão participar nas negociações, se não houver participação das mulheres.”

Na sexta-feira, a ONU Mulheres e parceiros lançaram a rede Mulheres Jovens para a Paz e Liderança. A iniciativa pretende formar jovens de países em conflitos para se tornarem lideres nas suas comunidades.

 

 

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