ONU alerta que ataques violentos continuam a dificultar resposta ao ébola na RD Congo

25 outubro 2018

Dezenas de milhares de pessoas fogem por segurança; equipas de resposta médica suspendem atividades em Beni; condições são cada vez mais desfavoráveis para combater décimo surto em 40 anos.

O Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, diz que a insegurança sentida recentemente em várias áreas no leste da República Democrática do Congo, RD Congo, forçou dezenas de milhares de pessoas a fugir em busca de segurança.

Por isso, muitas organizações humanitárias suspenderam ou limitaram as suas atividades. Os deslocados internos e as crianças são particularmente afetados por esta decisão.

O décimo surto de ébola a atingir a RD Congo em 40 anos foi declarado a 1 de agosto de 2018.
O décimo surto de ébola a atingir a RD Congo em 40 anos foi declarado a 1 de agosto deste ano.
​​​​​​​Foto Unicaef / Marl Naftalin

Ébola

Em Beni, na província de Kivu do Norte, o epicentro do novo surto de ébola, que já causou 244 mortes, as repetidas incursões de supostos grupos armados não estatais têm forçado regularmente as equipas de resposta médica a suspenderem as suas atividades.

O décimo surto a atingir a RD Congo em 40 anos foi declarado a 1 de agosto deste ano. O agravamento da segurança na cidade de Beni levou a Organização Mundial da Saúde, OMS, a elevar o nível de risco de alto para muito alto, em setembro.

O Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU, Cerf, alocou US$ 3,1 milhões para ajudar os parceiros humanitários a aumentar a sua resposta. O esforço pretende conter o novo surto e ajudar os parceiros humanitários a fornecerem serviços vitais e impedir a propagação do vírus.

Ameaças

As atividades já haviam sido suspensas antes de setembro por vários dias devido a ameaças diretas contra os agentes humanitários.

A OMS foi obrigada a suspender todas as atividades por dois dias, após os ataques no final de setembro que resultaram em mais de 20 mortos em Beni e arredores.

O secretário-geral da ONU condenou o ataque do último fim de semana na cidade de Mayongose, no qual 11 civis morreram e vários outros foram feridos e sequestrados.

Financiamento

Tais ataques continuam a colocar pressão no acesso humanitário na região afetada pelo conflito. A violência, a insegurança e o deslocamento contínuos, associados a um grave subfinanciamento, continuam a dificultar os esforços de resposta.

O número de pessoas que precisam de proteção e assistência humanitária quase duplicou no último ano para cerca de 13,1 milhões de pessoas.

A Ocha informou que, em 2018, foram recebidos apenas 28% do US$ 1,7 bilhão necessário para conseguir garantir uma assistência eficaz na RD Congo.

 

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