Chefe humanitário da ONU alerta que aumentou o risco de fome no Iêmen

23 outubro 2018

Mark Lowcock participou em encontro do Conselho de Segurança sobre crise no país; subsecretário-geral destaca que situação piorou em setembro; metade da população corre risco de fome.

O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, declarou esta terça-feira no Conselho de Segurança que metade da população do Iêmen corre risco de fome. São cerca de 14 milhões de pessoas que vivem nessa situação.

No encontro, Lowcock disse que o mundo "está perdendo a luta contra a fome no Iêmen”. Segundo ele, a situação piorou desde seu último informe, em 21 de setembro.

Agravamento

Subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, no Conselho de Segurança
Subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, no Conselho de Segurança , by Foto ONU/Eskinder Debebe

O chefe humanitário afirmou que "existe agora um perigo claro e presente de grande e iminente fome.” Para ele, esta ameaça “é muito maior do que qualquer profissional deste campo conheceu durante a sua vida profissional".

De acordo com uma nova avaliação, o número total de pessoas que depende inteiramente da assistência externa para a sua sobrevivência pode em breve chegar a 14 milhões de pessoas. Lowcock explicou que este número "é metade da população total do país".

O responsável indicou dois eventos recentes que agravaram a crise. Primeiro, a intensificação dos combates em torno da cidade portuária de Hodeida, que danificou a rede elétrica e de abastecimento de água, comprometendo a entrega de ajuda humanitária. Em segundo lugar, o colapso da economia.

Pedidos

Neste contexto, Mark Lowcok pediu todas as partes que façam "todo o possível para evitar uma catástrofe".

Segundo ele, é preciso um fim das hostilidades "dentro e ao redor de toda a infraestrutura e instalações das quais dependem as operações de ajuda e as importações comerciais".

Além disso, é necessária "a proteção do fornecimento de alimentos e produtos essenciais", o que implica o levantamento das restrições às importações e a manutenção das principais rotas de transporte abertas e seguras.

O chefe de ajuda humanitária também pediu uma injeção rápida de moeda estrangeira na economia, atribuição de crédito mais rápido para empresas e pagamento dos salários em atraso a aposentados e funcionários públicos.

No final, Mark Lowcock pediu mais financiamento e apoio para as operações humanitárias.

 

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