Teste de virgindade viola direitos humanos e não tem base científica, segundo agências da ONU
BR

18 outubro 2018

Declaração conjunta pediu fim dos tipos de exame no Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro; prática é comum em pelo menos 20 países.

O chamado “teste de virgindade” é um exame ginecológico realizado, segundo agências da ONU, com a falsa convicção de ter a capacidade de determinar de forma precisa se uma mulher ou menina tiveram relações sexuais.

 Agências da ONU pedem o fim desta prática médica traumática desnecessária
Agências da ONU pedem o fim desta prática médica traumática desnecessária, by ONU

Uma declaração conjunta feita no Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, Figo, realizado nesta semana no Rio de Janeiro, ressalta que este tipo de teste não tem fundamento científico e viola os direitos humanos.

Humilhação

Num chamado global para eliminar a violência contra mulheres e crianças no mundo, o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, a ONU Mulheres e a Organização Mundial da Saúde disseram que é preciso “acabar com esta prática médica traumática desnecessária, muitas vezes dolorosa e humilhante.”

De acordo com as agências, a prática é uma tradição antiga em pelo menos 20 países. Mulheres e meninas são forçadas a fazer este tipo de teste por razões que incluem vontade dos pais ou futuros maridos para verificar a elegibilidade para casamentos, ou até mesmo, por solicitação de possíveis empregadores.

Estupro

Na maioria das vezes, os exames são realizados por médicos, policiais ou líderes da comunidade para determinar a virtude, a honra ou os valores sociais de meninas e mulheres. Em algumas regiões, é comum que profissionais da saúde submetam vítimas de estupro à prática para, supostamente, comprovar se o crime ocorreu.

Para as agências, o procedimento é “desnecessário” pela falta de base científica e “pode causar dor, lembrando o ato de violência sexual”. A prática estaria exacerbando o sentimento de incapacitação das sobreviventes.

Na declaração, as agências disseram ainda, que a prática pode influenciar “os procedimentos judiciais, na maior parte das vezes, em detrimento das vítimas e em favor dos responsáveis”, com estes tendo a chance de serem absolvidos.

As agências pediram uma resposta colaborativa da sociedade, apoiada pela comunidade da saúde pública e pelos profissionais da saúde.

 

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