Destaque ONU News Especial - 17 de outubro de 2018

17 outubro 2018

O #DestaqueONUNewsEspecial entrevista Paolo Balladeli, representante das Nações Unidas em Angola. Balladeli falou sobre as metas para o desenvolvimento no país e sobre refugiados congoleses que são acolhidos no país lusófono.

As Nações Unidas juntam esta semana, em Nova Iorque, cerca de 200 coordenadores humanitários e residentes na sede da organização. A ONU News conversou com representante das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladeli, com quem abordou a cooperação com o país.

ONU News, ON: A ONU News em Nova Iorque tem o prazer de receber em seus estúdios Paolo Balladeli, é representante das Nações Unidas em Angola. E assume também as funções de coordenador residente do Sistema da ONU no país. Muito obrigado por vir aqui aos nossos estúdios. Angola está a desenvolver com apoio das Nações Unidas.

Paolo Balladeli, PB: Sim temos uma presença das Nações Unidas importante no país. Neste momento com 11 agências no sistema nosso. Nos distintos âmbitos há muitos programas no âmbito social, no âmbito econômico e mesmo no âmbito social.

ON: Ao voltar agora para Angola quais são os próximos passos para garantir que este ritmo continue agora com a tendência de se potenciar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

 

PB: Eu diria que Angola é um país que desde o ponto de vista de desenvolvimento internacional tem muita projeção. Primeiro porque o país tem uma prioridade que é a paz e segurança para toda a África na lógica que se não tivermos paz não seria possível o continente desenvolver. Há uma primeira preocupação para o país que é de exprimir uma liderança a nível internacional para participar nos processos de prevenção de conflitos assim como a criação de condições de paz e criação de processos de estabilidade. Tudo isso vai permitir a Angola e ao continente desenvolver aportar mais para os objetivos de desenvolvimento. Há também toda uma série de trabalhos internos do país e com uma necessidade de diminuir a pobreza, porque ainda há uma parte importante da população que sofre da pobreza, assim como criar condições para desenvolver economicamente aquelas áreas que para além dos diamantes e do petróleo podem realmente representar para o país um motor de sustentabilidade para sua população. Estamos a pensar sobretudo na agricultura, na criação de gado. Mas também há toda uma série de serviços intermédios que o país pode fazer funcionar para que esses serviços possam também ser exportados.

 

Hospital Geral de Luanda, a capital de Angola, by OMS/Dalia Lourenço

ON: Há uma iniciativa que vem sendo divulgada em todo o mundo, o Pacto Global, que reúne empresas e pessoas e ideias de vários cantos do mundo. Angola vai ter agora o pontapé de saída com as primeiras empresas a integrá-lo. Quer nos falar desta experiência?

PB: Diria que faz parte do processo de dinamização da economia do país, de abertura a criar condições melhores para fazer negócio, que é também um dos pressupostos para trazer mais investimento. Neste momento também há uma forte presença do Ministério da Relações Exteriores, porque uma parte das empresas vai ser estrangeira.

ON: De quantas empresas estamos a falar?

PB: Em total serão umas 20 empresas que vão começar este primeiro grupo, uma rede local de empresas que aderem aos princípios do Pacto Global. Recordamos que os princípios fundamentais são o respeito aos direitos humanos, o respeito da dignidade no trabalho, a sustentabilidade e também a luta à corrupção.

ON: Quase no fim da nossa conversa, vou perguntar-lhe sobre uma das últimas imagens a aparecer no âmbito internacional foram com refugiados para mobilizar apoios ao governo. Sabemos também do retorno de alguns refugiados. O que sabe do assunto e do que pode ser feito para que a convivência entre angolanos e refugiados congoleses que queiram entrar no país fugidos dos conflitos seja a mais saudável?

ONU News
Coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli.

 

PB: Eu diria que está muito bem. Neste momento a coisa entre os refugiados congolenses e as comunidades angolanas que estão na mesma área de presença deles. Recordaremos que os refugiados estão concentrados no mar, e numa província que é a Lunda Norte que também é uma província diamantífera então há uma certa sensibilidade em pensar que o migrante realmente é um migrante que foge da guerra ou se pode também esconder alguém que está interessado em entrar no negócio clandestino de diamantes. Então há esse tipo de preocupação, seguramente, de parte das autoridades. Mas temos ali algumas agências do sistema das Nações Unidas com a chefia do HCR, a agência dos refugiados, que fizeram uma inventariação biométrica dos refugiados que foram acolhidos. Estamos a falar neste momento atualmente de 27 mil refugiados, 13 mil na capital da Lunda Norte, que é Dundu, e 14 mil num novo espaço que foi preparado com apoio do governo para que os 14 mil refugiados possam ter as suas atividades conjuntamente com as comunidades locais, principalmente no âmbito da agricultura, no âmbito de ter acesso a serviços de educação, de saúde, e que tenham água. Então se estar a criar as condições. Estivemos lá há um mês, com uma delegação diplomática, e falamos, vimos com nossos olhos, falamos com refugiados e eles estão ficando muito contentes, sobretudo dessa disposição das comunidades locais, de partilhar território, de partilhar também sonhos, criar condições de desenvolvimento. Eu acho as condições para uma boa integração para refugiados, se é que não melhoram as condições na RDC. Eles vieram porque houve massacre, houve realmente um momento que se cortava pernas, braços, cabeças, então fugiram do Kassai e da RDC. E encontram uma Angola com os braços abertos a recebê-los e dar as condições para que eles pudessem viver com as suas famílias, então tudo bem. Alguns regressaram. Nós sabemos que 3.000, 3500 refugiados regressaram, mas não regressaram de forma forçosa. Eles decidiram regressar a RDC, eventualmente encontraram condições para poder ficar lá. Isso é positivo, mas também sabemos que nessas áreas de onde é a maioria dos refugiados que foram para Angola ainda não tem condições, não há escolas, as aldeias foram queimadas, e ainda eles têm medo mesmo de regressar. Os representantes que estão em Angola têm certo receio de neste momento ainda não temos as lições na RDC, ainda não sabemos qual vai ser o futuro da estabilidade neste país. Então ainda neste momento eles preferem ficar em Angola, sentir-se protegidos, e têm um sonho também de ficar mais tempo.

ON: Muito Obrigado Paulo Balladelli por essa entrevista a ONU News. O representante das Nações Unidas em Angola nos falou dos desenvolvimentos, falou também de metas para que esses progressos sejam possíveis, mas também de refugiados congoleses que são acolhidos no país lusófono. Muito obrigado, esteja conosco.

 

Refugiados congoleses em Angola. Foto: Arquivo pessoal Paolo Balladelli
Refugiados congoleses em Angola. Foto: Arquivo pessoal Paolo Balladelli

 

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