Especial: Após cinco anos de conflito, aumenta número de suicídios no Sudão do Sul
BR

12 outubro 2018

Campanha Operação Esperança da Agência de Refugiados da ONU tem objetivo de estimular os mais jovens e ajudá-los a não desistir da vida; para especialistas, os cinco anos de conflito no país provocaram efeitos negativos profundos na saúde mental dos civis.

James Jafar ainda lembra claramente do início de 2014. Foi quando ele fugiu com a esposa e três crianças da cidade de Malakal, a segunda maior do Sudão do Sul.

James Jafar perdeu a esperança e tentou se suicidar, by Unifeed Video

 “Soldados bêbados atacaram os homens, mulheres e crianças, casas foram saqueadas, mulheres estupradas.”

Quatro anos depois, James, agora com 32 anos, ainda vive com a sensação de medo. Ele perdeu tudo que tinha quando fugiu, mas conseguiu refúgio no Malakal POC, um abrigo de proteção de civis das Nações Unidas.  

Abrigo

No abrigo, criado em 2013, vivem 24 mil civis em um espaço pequeno, sem árvores. As temperaturas podem chegar a 43 ° C e os portões são sempre vigiados por soldados da paz.

É um porto seguro para muitos, mas também, para alguns, um tipo de prisão involuntária. James teve dificuldade em lidar com a nova realidade.

Sem emprego e nem condições de manter a família, com ansiedade e desespero, Jafar perdeu a esperança.

Suicídio

Ele diz que é difícil viver num acampamento de refugiados, onde se sentia só e percebeu que o álcool não resolvia os problemas. Foi quando decidiu se matar, mas foi salvo pelo amigo.

De acordo com a ONU, a tentativa de suicídio de James faz parte de uma crise maior no Sudão do Sul. Devido a cinco anos de conflito, não existem estatísticas confiáveis.

Dois milhões de pessoas fugiram para países vizinhos e outras 1,9 milhão foram deslocadas. A ONU dá refúgio para mais de 200 mil pessoas em seis abrigos.

Dados

Em 2016, quando as Nações Unidas começaram a coletar dados em Malakal POC, foram identificados quatro suicídios. Já em 2017, ocorreram 31 tentativas, a maior parte perto do natal.

Até o momento, em 2018, já ocorreram 23 tentativas de suicídio. Para trabalhar na prevenção, a Agência de Refugiados da ONU, Acnur, iniciou a chamada Operação Esperança.

Para a agência, os horrores da guerra civil são apenas um dos fatores. Muitas pessoas sentem que perderam as raízes e têm dificuldade de recuperar a identidade perdida, o que aumenta com a depressão e ansiedade.

Para o funcionário de campo do Acnur Alfred Kolubah “na situação em que estão vivendo, as pessoas acham que a vida terminou.”

Operação Esperança

A Operação Esperança foca em como as pessoas podem mudar como vivem e vêm a vida. Competições de football e apresentações de dança tradicional também são usadas para ajudar as pessoas a lidarem com os problemas.

James Jafar agora trabalha como voluntário na campanha Operação Esperança do Acnur. Com muita conversa , ele estimula os mais jovens a buscarem ajuda e a não desistirem.

Para Jafar, a vida pode ser difícil, mas também pode ser boa. Para ele, sendo feliz ou triste, ninguém deve perder a esperança.

 

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