Painel da ONU diz que “Arábia Saudita deve parar com ataques aéreos” no Iêmen

Menino de 12 anos em Sana’a, no Iêmen, onde as crianças continuam sendo as maiores vítimas.
Foto Ocha / Muath Algabal
Menino de 12 anos em Sana’a, no Iêmen, onde as crianças continuam sendo as maiores vítimas.

Painel da ONU diz que “Arábia Saudita deve parar com ataques aéreos” no Iêmen

Paz e segurança

Segundo dados das Nações Unidas, pelo menos 1.248 crianças foram mortas no conflito desde março de 2015; segundo responsáveis do país árabe, aliança internacional foi responsável por algumas das mortes.

Um comitê de direitos humanos da ONU pediu esta quinta-feira à Arábia Saudita que "ponha um fim aos ataques aéreos" contra o Iêmen.

Segundo dados das Nações Unidas, pelo menos 1.248 crianças morreram no conflito desde março de 2015.

Guerra

A recomendação foi feita pelo Comitê dos Direitos da Criança da ONU, que também emitiu observações sobre Benim, El Salvador, Laos, Mauritânia e Níger.

Em nota, o painel de 18 especialistas explica que a Arábia Saudita está envolvida no conflito como líder de uma aliança internacional que procura "restaurar a legitimidade" no Iêmen.

Cidade de Sana'a, no Iêmen.
Cidade de Sana'a, no Iêmen, by Ocha/Charlotte Cans

No relatório do Comitê, representantes sauditas admitem que a aliança foi "acidentalmente responsável por baixas entre crianças". Os especialistas mostram séria preocupação com os jovens, dizendo que estas "continuam sendo as principais vítimas do conflito" e que representam 20% de todos as vítimas civis causadas por ataques aéreos.

Ataques

O relatório menciona três ataques aéreos que aconteceram em agosto, mas destaca o primeiro, do dia 9 desse mês, em que 21 meninos morreram quando o veículo em que viajavam foi atingido por um míssil.

Segundo o painel, todas as partes envolvidas no conflito foram responsáveis ​​por ataques a civis, atingindo casas, instalações médicas, escolas, propriedades agrícolas, casamentos, mercados e veículos em áreas com muitas pessoas.

O comitê também destacou o bloqueio aéreo e marítimo que vigora no país, dizendo que afeta "muitos milhões de pessoas, incluindo uma alta proporção de crianças".

Preocupações 

O painel destacou outras preocupações. Segundo os especialistas, o mecanismo de investigação da aliança internacional é "ineficaz" em relação a ataques a crianças e seus membros têm “falta de independência".

A guerra no Iêmen envolve o governo, reconhecido pela comunidade internacional, e combatententes da oposição houthi, que controlam a capital, Sanaa,  e outros locais importantes.