Zahara, de 19 anos, lidera agência da ONU por um dia

11 outubro 2018

Jovem do Uganda foi diretora-executiva do Fundo de População da ONU, Unfpa, na quarta-feira; iniciativa marca o Dia Internacional da Menina.

Zahara, uma jovem do Uganda de 19 anos, foi diretora-executiva do Fundo de População da ONU, Unfpa, esta quarta-feira para marcar o Dia Internacional da Menina.

A inciativa faz parte da campanha “Girls Takeover”, ou Meninas Ocupam, que neste dia coloca mais de 1.000 jovens em posições de liderança como presidentes, ministras e diretoras em cerca de 70 países.

Ativismo

Zahara foi escolhida para tomar o lugar da diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, através da ONG Plan Internacional, que promove a iniciativa.

A diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem.
A diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, by ONU Mulheres/Ryan Brown

Em entrevista à ONU News, Zahara disse que pela primeira vez andou de avião e esteve “na posição de falar com pessoas diferentes, pessoas importantes, com quem nunca” tinha esperado falar.  

A jovem explicou que se tornou ativista pelos direitos de meninas depois de conversar com uma amiga sobre o assunto. Ela diz que “adorou” o tema porque a sua experiência de vida estava relacionada com todas estas questões.

Ela contou à amiga que esta era a sua experiência de vida, a sua história e que podia “usá-la para transformar a vida de outras meninas.”

Vida

Zahara disse que a sua vida “não tem sido fácil”. O pai morreu em 2004 e deixou a mãe tomando conta de seis filhos, sendo ela a mais nova. A irmã mais velha casou-se, outra engravidou com 16 anos. Ela disse que a mãe nunca foi à escola e, por isso, pede educação para todas as meninas.

A jovem queniana afirmou que tem de pagar para ir à escola. Este ano, ela não conseguiu estudar porque teve de trabalhar. Mas para o ano quer regressar à escola, e começar o seu curso de jornalismo.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, mais de 130 milhões de meninas em idade escolar estão fora da escola.

A jovem queniana contou que “quer ser uma jornalista e usar isso como uma plataforma para a sua advocacia”. Ela disse que escolheu “jornalismo porque existem muitas meninas a sofrer e precisam de justiça”.

Zahara lembrou a história de uma amiga que foi vítima de estupro aos sete anos “e não foi feita justiça porque nem ela, nem sua mãe tinham uma voz”. 

Ela acredita que “se for uma jornalista e olhar para estas pessoas que cometem estes crimes e publicá-los nas notícias, outros homens vão ficar com medo e reduzir as suas taxas de crime e estupro”.

Liderança

Para a diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, “a liderança que a jovem presta inspira meninas na sua comunidade, no seu país e a ela mesma”.

Segundo a representante, “a perspectiva nova que a liderança de meninas traz melhora a vida de um indivíduo, mas também a vida de uma sociedade como um todo”.

Kanem explicou que está “muito orgulhosa” por ter “uma líder eloquente que tem uma visão para igualdade entre todas as pessoas, mas certamente as meninas e os jovens”.

 

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