ONU: “tecnologias de ponta podem ajudar a proteger o planeta, mas existem riscos”

8 outubro 2018

Novo relatório do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU destaca que os países devem estar preparados para mudanças; secretário-geral António Guterres disse que inovações precisam ser comercialmente viáveis, igualitárias e éticas.

Tecnologias de ponta, desde inteligência artificial a veículos sem emissões, representam uma oportunidade para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, mas também um perigo.

Esta é a conclusão da Pesquisa Económica e Social Mundial de 2018, publicada esta segunda-feira pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, Desa. 

Perigos 

O relatório avisa que estas tecnologias, se forem mal geridas, podem ampliar a desigualdade dentro dos países e entre eles. Em entrevista à ONU News, de Nova Iorque, o especialista em Assuntos Económicos do Desa, Sérgio Vieira explicou esse desafio.

“Outro tipo de desigualdade é mais a nível mundial, entre aqueles países, por exemplo como Portugal e Brasil, que vão ter a capacidade de, talvez não gerar inovação, mas pelo menos aborver essas inovações. Enquanto países como Guiné-Bissau ou Cabo Verde têm mais deficiências estruturais e vão ter mais dificuldade em acompanhar estas mudanças tecnológicas. E, portanto, pode se criar um fosso ainda maior entre países que designamos como mais avançados economicamente e aqueles mais desfavorecidos.”

Medidas

Além de apontar oportunidades e desafios, a pesquisa explica como é que os países se podem preparar para estas mudanças. Sérgio Vieira indica algumas alterações que os Estados devem preparar.

“A nível nacional será necessário desenvolver políticas de educação específicas que permitam à mão de obra menos qualificada acompanhar os novos requisitos. Haverá também políticas no mercado de trabalho que vão ser necessárias para ajudar essa mão de obra que será transferida. Vão ter que ser definidos princípios éticos no uso e desenvolvimento das tecnologias que garantam algum cuidado, não tragam consequências negativas para a maioria da população e que esses princípios sirvam como orientadores na regulação dessas tecnologias.” 

Progresso

Segundo a pesquisa, tecnologias de energia renovável e sistemas de armazenamento de energia já estão aumentando a sustentabilidade ambiental. Outras inovações permitiram aumentar o acesso a medicamentos e melhorar o bem-estar dos mais vulneráveis. Quanto às tecnologias móveis e finanças digitais, tornaram os serviços financeiros acessíveis a milhões de pessoas nos países em desenvolvimento.

Segundo o relatório, algumas tecnologias, como inteligência artificial e automação robótica, “podem aumentar a eficiência económica, mas ao mesmo tempo criar vencedores e perdedores”.

A pesquisa também alerta que, cada vez mais, “as inovações nas tecnologias de ponta estão concentradas em poucas empresas e países”.

Chefe da ONU

Em nota publicada na pesquisa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que "boa saúde e longevidade, prosperidade para todos e sustentabilidade ambiental estão ao nosso alcance se o poder destas inovações for aproveitado".

O chefe da ONU avisou que são necessárias “políticas que possam garantir que estas tecnologias não sejam apenas comercialmente viáveis, mas também igualitárias e éticas”.

Segundo ele, isso “exige uma avaliação contínua rigorosa, objetiva e transparente, envolvendo todas as partes interessadas”.

 

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