Sudão do Sul: 6 milhões de pessoas enfrentam escassez de alimentos

28 setembro 2018

FAO, Unicef e PAM apelam à paz; conflito deixa 60% da população exposta à insegurança alimentar; assistência humanitária impede crise ainda mais grave

O conflito prolongado e o período de maior escassez antes das colheitas deixou 6,1 milhões de pessoasem situação de fome extrema no Sudão do Sul. O número corresponde a 60% da população do país, segundo o Relatório Integrado de Segurança Alimentar que avalia os níveis de exposição à fome. 

O documento publicado esta sexta-feira na capital sul-sudanesa, Juba,  explica que estas pessoas enfrentam os níveis 3, 4 e 5 de insegurança alimentar. Estas situações são classificadas como “crise”, “emergência” e “catástrofe”, respetivamente.

O conflito é o principal motor desta situação desesperante - reprentante da FAO no Sudão do Sul, Pierre Vauthier

Acesso

Em resposta a estas conclusões, a Agência da ONU para a Agricultura e Alimentação, FAO, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e o Programa Mundial dos Alimentos, PAM, apelam à paz sustentável no país. O grupo de agência também quer acesso sem restrições a todas as áreas onde estão sobreviventes aos combates e que necessitam de assistência.

O reprentante da FAO no Sudão do Sul, Pierre Vauthier, considera que “o conflito é o principal motor desta situação desesperante, tornando impossível que os agricultores recuperem.” A agência da ONU garante que está a dar assistência ao máximo de pessoas possível, em quase todos os municípios, mas lembra que “é fundamental acabar com os conflitos e manter a paz para evitar que uma situação de insegurança alimentar, que já é grave, se deteriore ainda mais.”

Segundo o representante, o relatório mostra ainda que “se o povo do Sudão do Sul tiver paz, será capaz de melhorar sua própria situação de resiliência e segurança alimentar ”.

Subnutrição

A subnutriçcão afeta 1,2 milhão de crianças com menos de cinco anos e a tendência é de aumento. Entre as causas da situação estão insegurança alimentar grave, conflitos generalizados, falta de acesso a serviços, dietas extremamente pobres e falta de saneamento e higiene.

O representante do Unicef no Sudão do Sul  disse que já se sabe  que o tratamento de crianças gravemente subnutridas salva vidas. Mahimbo Mdoe explicou ainda que “mais de 80% das crianças recuperam, o que torna ainda mais urgente o acesso a quem mais sofreu com os combates.”

Assitência

Em comunicado conjunto, as três agências resumem a assistência que tem sido dada à populacão do Sudão do Sul.

A FAO explica que já apoiou 1,4 milhão de agricultores com sementes e ferramentas agrícolas para que possam aumentar a produção de cereais. Este auxílio estende-se também a pescadores e pastores, incluindo o fornecimento de serviços essenciais de saúde animal, para proteger o gado.

Por outro lado, o Unicef e parceiros admitiram 147.421 crianças subnutridas em vários programas de tratamento e centros de estabilização desde janeiro de 2018.

O PAM assistiu 3,1 milhões de pessoas com 30 mil toneladas de alimentos e US$ 2,9 milhões em transferências monetárias.

A guerra civil no Sudão do Sul ocorre desde dezembro de 2013 e está a causar  destruição, morte e deslocamentos generalizados. Pelo menos 1,7 milhão de pessoas estão deslocadas e outras 2,5 milhões vivem como refugiados em países vizinhos.

 

 

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