Cabo Verde quer “boa integração e combate a preconceitos contra migrantes”

27 setembro 2018

Presidente do país destaca que questão migratória deve ser tratada com respeito; população que sai de Cabo Verde é maior do que a que entra no país; Nações Unidas apoiam Pacto Global sobre Migração Ordenada, Segura e Regular.

O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, disse à ONU News que o mundo deve lidar com a questão das migrações com um “sentido de humanidade, solidariedade e respeito”.

Para o líder cabo-verdiano, a mobilidade humana tem vantagens que incluem o reforço da diversidade, a pluralidade, o crescimento e o rejuvenescimento das populações. Carlos Fonseca pediu que as atenções do mundo estejam nas políticas de boa integração e combate a preconceitos contra migrantes.

Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, by Daniela Gross

Direitos

“O tratamento a dar a essa questão, independentemente das formas concretas de acolhimento, tudo deve ser visto, perspectivado e solucionado num quadro de respeito pelos direitos humanos, pelos direitos fundamentais das pessoas. Porque humanidade é só uma. Sintomaticamente, nós estamos aqui em Nova Iorque, uma cidade americana, sede das Nações Unidas. Isto é uma simbologia fortíssima, muito intensa, um sonho que nós ainda temos que construir no dia-a-dia: o de estarmos todos juntos. Não são mais uns milhões de refugiados ou de migrantes que vão lançar o caos numa unidade que é assim tão vasta.”

Em dezembro, a cidade de Marraquexe, em Marrocos, deve reunir líderes mundiais para adoção do Pacto Global sobre Migração Ordenada, Segura e Regular. O acordo será o primeiro a cobrir todas as dimensões da migração internacional.

Estatísticas

O líder cabo-verdiano disse que há vantagens múltiplas em países anfitriões. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas de Cabo Verde, o país tem mais gente que sai do que a entrar no país.

“Nós somos um país pequeno, sem recursos tradicionais, com muitos constrangimentos. Mas nós acolhemos milhares e milhares de migrantes do Senegal, da Guiné-Bissau, da China, do Mali e da Serra Leoa. Nós, hoje em dia, sendo um país de tradição de imigração, somos um país de emigração. Em Cabo Verde acolhemos migrantes, apesar das dificuldades, e de coração aberto. A migração é um fenómeno positivo. Eles contribuem para o nosso desenvolvimento e, mesmo do ponto de vista social e cultural, a diversidade e a riqueza cultural que trazem é importante para que Cabo Verde seja um país cada vez mais de promoção de valores e um país de mestiçagem em todos os sentidos da palavra”.

As metas do pacto global incluem definir objetivos claros sobre a migração, abordar as preocupações de governos, proteger a soberania dos Estados e reconhecer as vulnerabilidades e benefícios de acolher migrantes.

Veja a entrevista completa com o presidente de Cabo Verde:

 

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