Na ONU, Cabo Verde pede fim da pena de morte

26 setembro 2018

Pena capital foi um dos grandes temas do discurso do presidente cabo-verdiano na Assembleia Geral; Jorge Carlos Fonseca destacou cultura de tolerância do seu país.

O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, pediu esta quarta-feira que os países se unam para acabar com a pena de morte.

O chefe de Estado cabo-verdiano discursou no segundo dia do debate de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.

Pena de morte

Fonseca considera que é uma “profunda tristeza”, que muitos países do globo continuem a ter pena de morte.  Segundo ele, esta realidade “exige de todos uma reflexão mais profunda, mais cuidada e mais responsável.”

“Acreditamos firmemente, em nome da clemência e em nome da prudência, que a pena capital não se revela como um instrumento adequado e justo. E nem sequer eficiente de reposição do direito, tendo em conta as suas insuperáveis fragilidades e condicionalidades.”

Cabo-verdianos

O presidente cabo-verdiano também destacou o espírito dos cidadãos do seu país, dizendo que têm demonstrado que “a tolerância é sempre possível” e que a permissão de valores “é uma realidade, mesmo em condições adversas”.

“A opção por uma política de paz, de diálogo e de entendimento, na prevenção e na resolução de conflitos, mais do que a explicitação e a assunção desses valores, é emanação de um modo de estar e de ser dos cabo-verdianos. De uma cultura de tolerância, que tem permitido que, ao longo das quatro décadas da sua história como país soberano, tais valores e princípios tenham informado as políticas do nosso país.”

Obstáculos

Fonseca destacou o terrorismo, a crise migratória, as mudanças climáticas, os conflitos e a gritante situação de pobreza como alguns dos grandes desafios enfrentados pelo mundo.

Em relação a Cabo Verde, lembrou que os índices de desenvolvimento económico, social e financeiro têm recebido avaliação positiva das principais instituições internacionais.

Apesar disso, Fonseca lembrou que o país tem uma economia baseada em serviços e um mercado escasso e, por isso, “não pode ignorar as suas grandes vulnerabilidades”.

O chefe de Estado lembrou que o país foi classificado como nação de renda média em 2008, mas afirmou que as “vulnerabilidades tornaram-se mais complexas desde então”.

Fonseca destacou vários desafios para o país, como a fraca capacidade produtiva, o desemprego jovem, as desigualdades de género e sociais, e dificuldades a nível da água, saneamento e saúde.

 

 

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