Presidente de Moçambique pede mais apoio ao desarmamento e à paz

25 setembro 2018

País reitera compromisso no reforço do sistema democrático; chefe de Estado moçambicano afirmou que instabilidade política em África continua a ser uma preocupação.

O presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, disse esta terça-feira, em Nova Iorque, que os moçambicanos estão determinados “a viver em paz.” O chefe de Estado moçambicano discursou no primeiro dia do debate de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.

Nyusi lembrou que as armas estão caladas há mais de dois anos. Segundo o líder, “agora, é tempo de ir mais longe e avançar com reformas mais profundas para acabar com os conflitos.” 

“O governo aproveita esta solene oportunidade para agradecer o apoio da comunidade internacional. Não se ergue com a mesma facilidade o que se derrubou. Por isso, apelamos a que mais assistência seja dada para a materialização do processo de desarmamento. “

Eleições

Filipe Nyusi explicou que o país testemunhou várias revisões legislativas que pretendem descentralizar poderes e assim evitar conflitos. O chefe de Estado deu o exemplo das próximas eleições que contarão “com a participação de vários partidos” ao pedir um reforço da ajuda internacional.

“Moçambique assume com profundo sentido de responsabilidade os seus compromissos em relação aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Da implementação destes objetivos resultará a criação de uma sociedade mais justa, solidária e equitativa. O nosso governo tem feito esforços enormes para que a adoção desta agenda seja uma realidade.”

Veja aqui o discurso completo de Filipe Jacinto Nyusi:

Reformas

O chefe de Estado reconheceu também o papel da ONU na promoção do diálogo e da resolução de conflitos, que continua a afetar povos e desrespeito pelos direitos humanos.

Nyusi disse que “o mundo desigual e fraturado precisa do multilateralismo para superar as suas lacunas.”

O líder disse que Moçambique apoia o secretário-geral na reforma da ONU, dizendo que estas reformas são importantes para garantirem que as Nações Unidas “sejam relevantes para todos os povos”.

No plano de paz e segurança, Nyusi disse que Moçambique acompanha focos de instabilidade, particularmente em África e no Médio Oriente. O líder referiu o direito à autodeterminação dos povos do Saara Ocidental e disse que a questão da Palestina e de Israel “continua a ser uma preocupação para os povos amantes da paz”.

Progresso

O presidente moçambicano reforçou também o compromisso com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, dizendo que a implementação desses objetivos “resultará numa sociedade mais justa solidária e equitativa”.
Segundo ele, o seu país tem dado especial atenção à proteção de direitos das pessoas, equidade de gênero, capacitação de jovens e mulheres e outros grupos desfavorecidos.

Em relação aos direitos de meninas e mulheres, o presidente disse que tem existido “avanços significativos”, nos setores político, econômico e corporativo.

O chefe de Estado referiu ainda melhorias no acesso aos serviços básicos de saúde e disse que Moçambique pretende cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, número 2 de erradicar a fome ainda antes de 2030.
Nyusi disse que a corrupção é “outro mal que compromete o cumprimento” dos ODSs e destacou que o país tem leis e estratégias políticas estabelecidas para tentar resolver esse problema.

Quanto às mudanças climáticas, declarou que o país toma medidas para aumentar a sua resiliência, promover a criação de áreas de conservação, fomentar o uso de energias renováveis e o uso sustentável de recursos naturais.

Gerações

Nyusi terminou referindo a importância das Nações Unidas. Segundo ele, a organização será “sempre a plataforma aglutinadora do compromisso coletivo em prol das nobres ideias sobre os quais esta organização foi fundadora, salvar as gerações vindouras do flagelo da guerra e promover o progresso social e melhores condições de vida em maior liberdade. 

Brasil e Moçambique foram os países lusófonos que discursaram esta terça-feira. Na quarta-feira, será a vez de Angola, Cabo Verde e Portugal. 

 

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