Seis curiosidades sobre a Assembleia Geral e a semana de alto nível deste ano

23 setembro 2018

Todos os anos, em setembro, líderes mundiais se reúnem na sede das Nações Unidas em Nova Iorque durante duas semanas para discutir as questões mais importantes que afetam a humanidade.

A 73ª sessão da Assembleia Geral da ONU abriu no dia 18 de setembro e os encontros anuais de alto nível da organização, conhecido como debate geral, iniciam neste 25 de setembro. É quando os líderes de todos os países têm a chance de se dirigir ao mundo. 

A primeira sessão da Assembleia Geral da ONU aconteceu em 10 Janeiro de 1946 em Londres, by Foto ONU/Marcel Bolomey

A intensa agenda cobrirá uma série de questões internacionais, incluindo desenvolvimento sustentável, mudança climática, paz e segurança, direitos humanos, preocupações com saúde pública e igualdade de gênero. 

1. Durante o debate geral, Brasil fala primeiro, EUA falam em seguida e depois…

No Debate Geral, os Estados-membros se alternam em discursos e têm direito a resposta quando solicitado. Desde 1947, o primeiro país a falar tem sido o Brasil. De acordo com os Serviços de Protocolo e Articulação, nos primeiros anos da Organização ninguém queria ser o primeiro a falar e o Brasil sempre acabava se voluntariando a ir primeiro. Agora isto se tornou uma tradição.

O segundo lugar fica com o país anfitrião, os Estados Unidos. Depois, a ordem dos oradores segue um algoritmo que reflete o nível de representação, o balanço geográfico, a ordem em que foi submetido o pedido para falar, entre outras considerações.

Fidel Castro na Assembleia Geral em  1960, Foto: ONU/Yutaka Nagata

Embora os palestrantes sejam gentilmente solicitados a falar até 15 minutos, os líderes mundiais normalmente vão além deste limite. Até hoje, o discurso mais longo feito durante uma Assembleia Geral foi o do ex-presidente cubano Fidel Castro, que falou por quatro horas e meia em 1960 (embora não tenha sido durante o debate geral).

Outro ícone do presidente da Assembleia Geral é o martelo. Saiba mais sobre o Martelo de Thor aqui

2 . A Assembleia Geral da ONU: um país, um voto 

Abertura da 73ª sessão da Assembleia Geral, Foto: ONU/Loey Felipe.

As Nações Unidas têm hoje 193 Estados-membros. A organização tinha apenas 51 quando foi criada em 1945. Dos atuais países que fazem parte da ONU, 40% são de baixa ou média renda. Cada Estado-membro tem uma voz igual, e um único voto. Para citar apenas algumas de suas funções críticas, a Assembleia Geral discute e vota, conforme necessário e se não houver consenso, sobre uma série de questões de política internacional, decide sobre o orçamento da ONU e elege os membros não-permanentes do Conselho de Segurança, além de escolher formalmente quem ocupa o cargo máximo de secretário-geral.

  • A programação das reuniões (em inglês) está disponível aqui.
María Fernanda Espinosa na Assembleia Geral, Foto: ONU/Manuel Elias

3. Esta é somente a quarta vez que a Assembleia Geral está sendo presidida por uma mulher

Antes de cada sessão da Assembleia Geral, um novo presidente é eleito. A presidente da 73ª Assembleia Geral é María Fernanda Espinosa, ex-ministra das Relações Exteriores do Equador. Dos 73 presidentes que já foram eleitos, ela é a quarta mulher e a primeira latino-americana a ocupar o cargo.

 

 

Saiba mais sobre as mulheres que ocuparam essa posição com a galeria de fotos preparada pela ONU News.

 

Confira este vídeo da entrevista da ONU News com a presidente María Fernanda Espinosa. 

 

4. O debate geral deste ano se concentrará na liderança global e nas responsabilidades compartilhadas

Assembleia Geral, Foto: ONU/Rick Bajornas

Todos os anos, o presidente eleito, em consulta com os Estados-membros e o secretário-geral, escolhe um tema para a semana de debate geral em que os chefes de Estado e de governo fazem declarações. O tema oficial de 2018 é “Tornar as Nações Unidas relevantes para todas as pessoas: liderança global e responsabilidades compartilhadas para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis.”

Em sua carta explicando a escolha deste ano, a presidente da Assembleia, Espinosa, convidou líderes mundiais para comentarem sobre a "relevância contínua" da ONU e "a importância de uma visão compartilhada". O debate começará em 25 de setembro e durará seis dias.

5. Declaração Política para a paz deve ser adotada em homenagem a Nelson Mandela

Nelson Mandela na Assembleia Geral em 1990, Foto: ONU/Pernaca Sudhakaran

Em dezembro de 2017, a Assembleia Geral votou pela realização de uma reunião plenária de alto nível pela paz global. Será uma homenagem ao centenário de nascimento do primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul e ícone mundial, Nelson Mandela. Em 24 de setembro, a Cúpula da Paz Nelson Mandela será realizada e os Estados-membros devem adotar uma Declaração Política que foi preparada ao longo do último ano.

O texto é chamado 2019-2028 a “Década da Paz Nelson Mandela” e apela para que líderes de todo o mundo “façam o impossível possível” e “redobrem os esforços para alcançar a paz e a segurança internacional, desenvolvimento e direitos humanos”.

Leia a versão final da Declaração aqui (em inglês). 

Assembleia Geral, Foto: ONU/Kim Haughton

6 – A Assembleia Geral tratará de dezenas de outros assuntos globais críticos e os trará para a frente da cena geopolítica mundial

Além do Debate Geral e outras sessões plenárias, as semanas da Assembleia Geral incluem uma longa lista de encontros e eventos paralelos.

A 73ª sessão incluirá o encontro de alto nível chamado financiamento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, em 24 de setembro; um evento para renovar o compromisso internacional e ação para as forças de manutenção da paz no dia 25; no mesmo dia decorre um evento paralelo de alto nível sobre violência contra indivíduos Lgbti,  um encontro de alto nível para erradicar a tuberculose decorre no dia 26; uma série de eventos humanitários, incluindo respostas para as situações no Iêmen e Sudão do Sul, e muitos outros. 

Todos os dias haverá transmissão ao vivo dos principais eventos na WebTV da ONU. 

A equipe da ONU News também acompanhará de perto todos os eventos, trazendo entrevistas exclusivas com representantes da lusofonia. 

 

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