ONU quer mais cooperação após acordo sobre zona militarizada em Idlib BR

Para Guterres, o acordo “deverá evitar uma operação militar em grande escala e melhorar a situação para milhares de civis”.
Foto: PMA
Para Guterres, o acordo “deverá evitar uma operação militar em grande escala e melhorar a situação para milhares de civis”.

ONU quer mais cooperação após acordo sobre zona militarizada em Idlib

Paz e segurança

Secretário-geral saudou Turquia e Rússia por terem concordado em criar a área no noroeste da Síria; chefe humanitário acredita que resultado de uma operação militar seria “a pior tragédia humanitária do século 21”.

O secretário-geral das Nações Unidas elogiou a Turquia e a Rússia esta terça-feira pelo acordo sobre a criação de uma zona desmilitarizada na região síria de Idlib.

Nações Unidas pediram que se evitasse uma catástrofe humanitária adiando uma operação militar para retomar Idlib
Nações Unidas pediram que se evitasse uma catástrofe humanitária adiando uma operação militar para retomar Idlib, by Foto/PMA

O compromisso entre os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin,  foi assinado na segunda-feira na cidade russa de Sochi.

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Em nota, emitida pelo seu porta-voz, o chefe da ONU, disse que o acordo “deverá evitar uma operação militar em grande escala e melhorar a situação para milhares de civis”.

António Guterres apela a todas as partes envolvidas no conflito na Síria que cooperem na implementação do acordo e “garantam o acesso humanitário seguro e desimpedido a todas as áreas pelas rotas diretas”.

De acordo com agências de notícias, a área de separação das forças do governo e dos combatentes rebeldes em Idlib será patrulhada por elementos das duas partes.

Antes, as Nações Unidas pediram que se evitasse uma catástrofe humanitária adiando uma operação militar para retomar Idlib. De acordo com os relatos das agências, autoridades da Defesa da Rússia teriam dito que com o acordo a hipótese seria descartada.  

Perigo

A nota do secretário-geral destaca ainda que é preciso ação rápida para abordar as causas profundas do conflito, em prol de uma solução política duradoura para a situação de acordo com a resolução 2254 do Conselho de Segurança.

Uma sessão do Conselho abordou a situação humanitária na Síria esta terça-feira. O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, revelou o que estava em perigo antes do acordo assinado pelos dois líderes.

Criança em escola de Idlib, na Síria, vítima de ataques.
Criança em escola de Idlib, na Síria, vítima de ataques. , by UNICEF

O também coordenador de Assistência de Emergência da ONU lembrou que, por várias vezes, altos funcionários da ONU fizeram soar o alarme sobre os riscos de uma ofensiva militar em grande escala no noroeste da Síria.

Lowcok explicou que isso não foi um exagero, porque o resultado dessa operação seria a pior tragédia humanitária do século 21.

Ele explicou que pesquisas com afetados feitas em agosto mostraram que mais de 2 milhões de pessoas poderiam ter sido deslocadas por uma operação militar em grande escala.

Serviços Básicos

A consequência dessa operação seria “o sofrimento incalculável de pessoas vulneráveis e aterrorizadas em locais superlotados, onde serviços básicos chegaram ao ponto de ruptura há meses.”

Ele explicou que “simplesmente não haveria como permitir que agências humanitárias protegessem e atendessem as necessidades de milhões de pessoas extremamente vulneráveis, que incluem 1 milhão de crianças”

Para Lowcock,  o sucesso da desmilitarização exige um entendimento de todas as partes. Para o chefe humanitário, dentro ou de fora dessa área os civis devem sair em busca de refúgio em outro lugar sempre que desejarem.

Para os deslocamentos, Lowcock disse que devem ser tomadas todas as medidas possíveis para que os afetados sejam recebidos em condições satisfatórias de abrigo, higiene, saúde, segurança, nutrição e união às suas famílias.