Novo acordo de paz assinado no Sudão do Sul

13 setembro 2018

Missão da ONU no país, Unmiss, saúda assinatura de novo documento; representante especial do secretário-geral diz que falta confiança entre as partes do entendimento; guerra civil já dura há cinco anos.

A assinatura de um novo acordo de paz por todas as partes envolvidas no conflito do Sudão do Sul é um importante passo para acabar com a violência e o sofrimento, disse a Missão da ONU no país, Unmiss.

Em nota emitida pelo seu porta-voz esta quinta-feira, o secretário-geral disse que este é um momento "positivo e com significado". António Guterres também destaca os esforços regionais e internacionais que permitiram a assinatura do acordo. 

Passos

O chefe da ONU apela a que todas as partes implementem o documento, para que "o povo do Sudão possa ter os dividendos da paz que merece". No final, Guterres lembra que o caminho em frente continua a ser um desafio e que a comunidade internacional deve continuar envolvida no país. 

O representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul país e chefe da Missão, David Shearer, discursou durante a assinatura do acordo em Adis Abeba, na Etiópia, esta quarta-feira.

Na cerimônia, Shearer afirmou que “este é apenas um passo no caminho de uma paz duradoura, mas é o passo que lança as fundações para todos os outros”.

Representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul, David Shearer, by Foto: ONU/Unmiss

O representante especial lembrou que, há apenas três meses, quem conhece o conflito não teria acreditado que este acordo era possível. Apesar disso, Shearer explicou que os maiores desafios ainda estão por vir.

O representante destacou o papel da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento e os governos do Sudão e da Etiópia, que lideraram as negociações.

O representante disse que as Nações Unidas e a comunidade internacional devem apoiar os esforços de reconciliação e manutenção de paz, mas “esperam a demonstração de vontade política coletiva para implementar o acordo e um plano de implementação realista”.

Confiança

Segundo Shearer, “o ingrediente essencial que ainda falta é confiança”. O enviado disse que as partes que assinaram o acordo “são antigos amigos e inimigos” e, segundo as conversas que teve, a desconfiança é generalizada.

Shearer acredita que é responsabilidade da comunidade internacional encorajar a confiança entre as partes.

Em nota, a missão da ONU deseja que este novo acordo seja um incentivo para as pessoas do Sudão do Sul regressarem às suas casas e a ter vidas seguras. Também espera que o “o país passe de um terrível estado econômico para uma situação que atraia investimento e desenvolvimento”.

O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo, tendo se tornado independente do Sudão há sete anos. A guerra civil começou em dezembro de 2013, dois anos após a independência.