Bachelet destaca Venezuela, EUA, Síria, migrantes e outros temas em primeiro discurso no posto
BR

10 setembro 2018

Nova alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos discursou sobre tópicos relevantes em todos os continentes; ela também pediu mais transparência à aliança militar liderada pela Arábia Saudita sobre conflito no Iêmen.

No primeiro discurso à frente do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet abordou assuntos relevantes em várias partes do globo.

A ex-presidente do Chile tomou posse no posto no início deste mês reafirmando sua dedicação ao longo da vida para reverter o ódio.

Crise política

Ela abriu o discurso manifestando preocupação com a crise iminente em Idlib, na Síria, que está em guerra desde 2011. Para a nova alta comissária, é preciso haver justiça ao povo sírio por todos os abusos que tem sofrido nesse conflito.

Ao comentar a situação na sua própria região, a América Latina, Michelle Bachelet destacou a magnitude do movimento de pessoas nas fronteiras da Venezuela por causa da crise política no país. Ela lembrou que é o maior movimento já visto nas Américas.

Até o início de julho, cerca de 2,3 milhões de pessoas tinham fugido da Venezuela, o número equivale a 7% da população.

A alta comissária contou que 800 venezuelanos estão chegando ao Brasil todos os dias. Na primeira semana de agosto, mais de 4 mil entraram no Equador e outros 50 mil teriam chegado à Colômbia somente em três semanas de julho.

Doenças

Desde a publicação de último relatório sobre a Venezuela, em junho, o Escritório continuou a receber informações sobre violações de direitos sociais e econômicos como mortes relacionadas à desnutrição ou doenças evitáveis.

Há relatos de “violações de direitos civis e políticos incluindo detenções arbitrárias, maus-tratos e restrições à liberdade de expressão”, segundo Bachelet.

Em relação à migração global,  a alta comissária disse que estava enviando equipes para a Áustria e para a Itália para investigar a proteção dos migrantes. Ela declarou estar alarmada com  a violência a migrantes na Alemanha.

Michelle Bachelet disse que a Itália negou a entrada de pessoas em navios de resgate e houve relatos de um aumento acentuado de atos de violência e racismo contra migrantes, africanos e de povos Roma e Sinti, também conhecidos como ciganos.

Estados Unidos

Bachelet manifestou ainda preocupação com 500 crianças migrantes nos Estados Unidos separadas de seus pais e que ainda não foram devolvidas pelas autoridades.

Ela lembrou que os Estados Unidos prometeram limitar a detenção das crianças a 20 dias.

Bachelet pediu à aliança militar liderada pela Arabia Saudita no Iêmen que mostre maior transparência em suas regras combate e responsabilize  os autores de ataques aéreos  civis. Ela destacou a morte de dezenas de crianças em Saada no mês passado.