Nicarágua: investigadores da ONU vão acompanhar situação de direitos humanos à distância

4 setembro 2018

Governo pediu fim da missão de grupo de elementos dois meses após iniciarem funções no país; Escritório de Direitos Humanos fala de mais pessoas presas e acusadas de cometer crimes nas últimas semanas.

As Nações Unidas anunciaram esta terça-feira que os quatro investigadores do Escritório dos Direitos Humanos que deixaram a Nicarágua vão continuar monitorando a situação do país à distância.

O grupo saiu do país no sábado, porque o governo pediu o fim de sua missão que iniciou em 24 de junho. A situação no país poderá ser debatida esta quarta-feira no Conselho de Segurança.

Vítimas

Em nota, o escritório destaca que a decisão de continuar o trabalho vai de acordo com o “mandato global de promover e proteger os direitos humanos para todos”, e destaca ainda que o grupo continuará sendo “uma voz para as vítimas”.

Estudante de medicina, de 21 anos, mostra cicatrizes da violência que diz ter sofrido durante os protestos.
Estudante de medicina, de 21 anos, mostra cicatrizes da violência que diz ter sofrido durante os protestos. , by Acnur/Roberto Carlos Sanchez

O documento, emitido em Genebra, “lamenta profundamente” a decisão do Governo da Nicarágua de expulsar os investigadores, um dia após a publicação do relatório sobre violações e abusos cometidos desde abril.

O documento defende que a proteção das vítimas “é cada vez mais desafiadora” no país, devido ao acesso e à supervisão limitados da comunidade internacional.

Acusações

Mais pessoas e grupos foram presos e acusados de ter cometido crimes por estarem associados aos protestos nas últimas semanas, destaca a nota.

Nesse período, também ocorreram campanhas de difamação pelos meios de comunicação pró-governo, que incluíram chamar os manifestantes de “terroristas” e “golpistas”, ou ainda demissões injustificadas e ameaças generalizadas.

Apoio

O Escritório disse estar pronto para continuar a dar apoio à Nicarágua para que o país cumpra suas obrigações internacionais de direitos humanos, revelando que vai cooperar com os mecanismos regionais e a comunidade internacional.

O documento destaca ainda que o relatório e as suas recomendações são uma importante ferramenta para ajudar o país a superar a atual crise política e social, reforçar suas instituições, ajudar a buscar a verdade e na prestação de contas.

 

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