Chefe de direitos humanos pede que Mianmar liberte jornalistas da Reuters condenados à prisão
BR

3 setembro 2018

Michelle Bachelet, que acaba de assumir o posto, disse que a cobertura feita pelos repórteres da Reuters, Kyaw Soe Oo e Thet Oo Maung, sobre o massacre Inn Din era claramente de interesse público; eles foram sentenciados a sete anos de prisão por divulgar “documentos secretos” do Estado.

A nova chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, comentou a condenação de dois jornalistas da agência de notícias Reuters em Mianmar, pedindo a libertação imediata deles.

Kyaw Soe Oo conhecido como Moe Aung e Thet Oo Maung também chamado de Wa Lone foram sentenciados a sete anos de prisão. 

Cidadãos rohingya

Eles estavam detidos desde dezembro do ano passado quando foram acusados de violar segredos de Estado.

Os dois repórteres, que são birmaneses, investigavam um massacre de 10 cidadãos rohingyas, ocorrido em setembro de 2017, no estado de Rakhine, no norte do país.   Segundo a mídia local, os jornalistas foram presos logo após receber os documentos.

Michelle Bachelet disse que os dois têm de ser libertados imediatamente e sem nenhuma condição. Para ela, a reportagem sobre o massacre no vilarejo de Inn Din, no estado de Rakhine, era de interesse público e não teria vindo à luz, se eles não tivessem escrito sobre o tema.

Unfpa Bangladesh/Naymuzzaman Prince
Mais de metade dos refugiados rohingya em Cox's Bazar, no Bangladesh, são mulheres e crianças.

Mensagem

A alta comissária de direitos humanos diz ainda que a sentença desrespeita o processo legal de padrões internacionais. A condenação também envia uma mensagem a todos os jornalistas em Mianmar de que não podem operar sem medo, levando com que se autocensurem ou enfrentem julgamento.

Bachelet disse que a condenção tem de ser suspensa libertando os jornalistas e outros profissionais da imprensa que estejam detidos por exercerem seu direito legítimo à liberdade de expressão.

A onda de violência à minoria rohingya in Mianmar já obrigou mais de 700 mil rohingyas a fugirem para Bangladesh, o país vizinho.  No início da noite de segunda-feira, em Nova Iorque, o porta-voz do secretário-geral da ONU emitiu uma nota expressando preocupação com a sentença dada aos jornalistas.

O secretário-geral, António Guterres, pediu às autoridades birmanesas que revejam a decisão.

Democracia

Guteres afirmou que a liberdade de expressão e informação é uma pedra angular de qualquer democracia. Para ele, é inaceitável que os jornalistas tenham sido julgados e condenados por reportarem sobre violações dos direitos humanos praticadas no estado de Rakhine.

O secretário-geral afirmou que continuará a defender a liberdade dos jornalistas. Ele pediu a Mianmar que respeite inteiramente a liberdade de imprensa e todos os direitos humanos no país.

 

 

 

 

 

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