Relatores da ONU dizem que limpeza de Fukushima põe em risco trabalhadores

16 agosto 2018

Em comunicado conjunto, especialistas em direitos humanos citam relatos de exploração, engano e exposição à radiação; avaliação ocorre sete anos após o acidente com a usina nuclear após terremoto e tsunami, no Japão.

Um grupo de relatores de direitos humanos independentes pediu ao Japão que examine com urgência a situação de dezenas de milhares de trabalhadores, que estão realizando a limpeza da usina nuclear de Fukushima Daiichi após o acidente de 2011.

No comunicado, assinado por três especialistas*, em Genebra, eles afirmam que a exposição à radiação continua sendo um grande risco para esses trabalhadores que estão sob risco de serem explorados e enganados. Muitos deles são migrantes, mulheres, pessoas com deficiência e idosas.

Impacto

Entre as preocupações citadas estão riscos de exposição à radiação, a possível coerção para aceitar condições de trabalho perigosas pelas dificuldades econômicas e medidas de treinamento e proteção com impacto na saúde física e mental.

A avaliação ocorre sete anos após o colapso da usina nuclear, causado por um terremoto em Fukushima, que foi seguido de um tsunami, em 11 de março de 2011.  

Inspeção na usina nuclear Fukushima Daichi feita em 2011. Foto: Aiea/Greg Webb

A nota aponta para dezenas de milhares de trabalhadores recrutados no período como parte de um programa de descontaminação.

Substâncias tóxicas

Dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão apontam que 46.386 trabalhadores estavam empregados em 2016. Mas o Centro de Registro Central do Serviço de Radiação do Japão indica que até esse ano pelo menos 76.95 pessoas foram contratadas para a descontaminação.

Os relatores indicam que pessoas em maior risco de exposição a substâncias tóxicas são as que são vulneráveis à exploração incluindo pobres, crianças, mulheres, migrantes, pessoas com deficiência e trabalhadores de idade avançada.

Os peritos destacam inúmeros abusos de direitos humanos que incluem obrigação de os trabalhadores optarem pela sua saúde ou pagamento, numa situação “invisível para a maioria dos consumidores e decisores políticos” que podem mudar esse cenário.

Os relatores disseram estar disponíveis a aconselhar as autoridades japonesas e que é preciso reforçar as medidas de proteção para melhor lidar com a exposição desses trabalhadores à radiação tóxica.

*Os relators de direitos humanos da ONU são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pela sua atuação.

O comunicado foi firmado pelos relatores: Baskut Tuncak, Urmila Bhoola e Dainius Puras.

 

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