Chefe de Direitos Humanos fala à ONU News sobre importância de defender pessoas

15 agosto 2018

Zeid Al Hussein afirmou que o único legado que espera é o de ter feito um bom trabalho na defesa de vítimas de direitos humanos, populações marginalizadas e injustiçadas; ele cita ações heroicas de pessoas no terreno; ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet assume cargo em 1º de setembro.

O alto comissário-cessante das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, concedeu a sua última entrevista à ONU News antes de deixar o cargo.

Zeid destacou que, em muitas partes do mundo, são os pobres que, repetidamente, sofrem as consequências da injustiça
Zeid destacou que, em muitas partes do mundo, são os pobres que, repetidamente, sofrem as consequências da injustiça, by Foto/Ohchr

A partir de 1 de setembro, o posto será ocupado pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que foi confirmada na sexta-feira pela Assembleia Geral.

Ameaça

Na entrevista à ONU News, em Nova Iorque, Zeid Al Hussein disse que durante o seu mandato não ficou em silêncio. Ele esteve no cargo após ser embaixador da Jordânia junto às Nações Unidas de 2010 a 2014.

Segundo Zeid, às vezes, se alguém não fala ou não ameaça a dizer o que pensa, esta pessoa não atrai a atenção. Ele disse preferir errar por falar o que pensa do que se calar.

Num dos momentos mais emocionantes de seu mandato, ele citou o caso de quatro jovens que visitaram ele e sua equipe para falar de seus dramas pessoais. Elas haviam sido sentenciadas a 30 anos de prisão por passarem pelo que chamou de emergências obstétricas após abortos espontâneos. Para Zeid, esse foi um exemplo de extremo sofrimento.

Pobres

Zeid destacou que, em muitas partes do mundo, são os pobres que, repetidamente, sofrem as consequências da injustiça.

O chefe dos Direitos Humanos disse ainda que o que importava para ele era a opinião das pessoas que defendeu durante o seu mandato.

Ele contou que as pessoas que importam para ele são a sociedade civil, as vítimas, os defensores de direitos humanos. Ele afirmou que se eles disserem que: “Zeid fez um bom trabalho”, ele ficará muito contente com isso. Mas se eles disserem que: “Zeid poderia ter feito melhor”, ele terá de aceitar e aprender a viver com isso.

O alto comissário da ONU ressaltou ainda as dificuldades enfrentadas pelo pessoal humanitário que atua pela organização junto a seus beneficiários.

O chefe de Direitos Humanos durante visita oficial à Líbia
O chefe de Direitos Humanos durante visita oficial à Líbia, by Unsmil/Abel Kavanagh

Para ele, é muito difícil tolerar abuso sobre a ONU quando ele pensa nas coisas heroicas que as pessoas fazem no terreno, sejam elas agentes humanitários ou pessoal humanitário, colegas de direitos humanos, pessoas que monitoram ou observam. E disse tirar seu chapéu para elas porque para ele, elas são a ONU que ele celebra e relembra.

Estatuto de Roma

Antes de chefiar os Direitos Humanos na ONU, Zeid participou em painéis que trataram sobre Direito Internacional. O destaque vai para seu papel como primeiro presidente da Assembleia dos países que participam do Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, TPI.

Em 2012, Zeid Al Hussein foi um dos cinco especialistas do grupo consultivo sobre reembolsos a países contribuintes com tropas de manutenção da paz da organização.

Ele também presidiu o Comitê Consultivo sobre Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.

 

 

 

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